DREAM THEATER

DREAM THEATER: Ouve as maquetas do clássico «Images And Words» [streaming]

O «Images And Words» celebra hoje o seu 34.º aniversário, e esta é uma visão muito interessante dessa que foi uma época crucial para os DREAM THEATER.

Em 2022, os DREAM THEATER decidiram mergulhar bem fundo no catálogo da agora extinta Ytsejam Records e andaram a reeditar grande parte do seu conteúdo. Nesse processo de recuperação de muitas raridades, a banda norte-americana lançou um disco intitulado «Lost Not Forgotten Archives: Images and Words Demos», que inclui as quatro demos instrumentais que gravaram entre 1989 e 1991 (e que deram origem ao clássico «Images And Words»).

Como podes conferir no player em baixo, o disco inclui também as maquetas que gravaram para a ATCO em 1991 (que acabariam por lhes garantir um contrato discográfico) e um punhado de demos posteriores de pré-produção antes da gravação do «Images And Words».

No entanto, o mais interessante disto tudo é mesmo a inclusão de quatro ensaios vocais de John Hendricks, Steve Stone e Chris Cintron, gravados numa altura em que os DREAM THEATER estavam a experimentar novos vocalistas depois de Charlie Dominici se ter despedido em 1989 e antes de James LaBrie se ter juntado ao grupo em 1991.

A história conta que inicialmente os músicos contrataram Stone, mas o vocalista teve um desempenho tão desastroso num concerto em Bay Shore que acabou por ser despedido pouco tempo depois. Para um vislumbre rápido do que poderia ter sido, mas não foi, basta carregar no play.

Editado originalmente a 7 de Julho de 1992 pela Atco Records, o «Images And Words» comemora hoje mais um aniversário. Este, que é o segundo álbum de estúdio dos DREAM THEATER, foi gravado entre Outubro e Dezembro do ano anterior nos estúdios BearTrack e The Hit Factory, ambos em Nova Iorque, com David Prater sentado na cadeira de produtor.

Três anos após a estreia com «When Dream And Day Unit», o «Images And Words» marcou um passo evolutivo de gigante para o grupo então formado por John Petrucci na guitarra, Kevin Moore nas teclas, John Myung no baixo e Mike Portnoy na bateria e percussão, assinalando a estreia de James LaBrie na voz e valendo-lhes o único hit radiofónico que gravaram durante a sua carreira, graças à icónica «Pull Me Under».

Não haverá melhor prova da relevância da sua popularidade que o facto de, quase três décadas depois de ter chegado aos escaparates, se manter estoicamente na posição de maior sucesso comercial em todo um fundo de catálogo sem mácula.

Convenhamos, por esta altura, a banda norte-americana atingiu um patamar que ninguém, entre os seguidores do peso de tendências progressivas, pelo menos, se atreve a ignorar — os DREAM THEATER estão para o metal progressivo como os Black Sabbath estão para o doom, os Iron Maiden para o heavy ou os Slayer para o thrash.

Porquê? Porque, ao longo do seu percurso, conseguiram, de forma muito surpreendente, estabilizar uma síntese de melodias inconfundíveis, instrumentação prog e sensação de peso agressivo incomparável no espectro do heavy metal. Graças a uma espantosa alquimia estética e criativa, os DREAM THEATER, basta o nome, são hoje em dia sinónimo da força do talento, da habilidade e do poder criativo, assim como do resultado obtido na junção dos três elementos num grupo de músicos com capacidades extraordinárias.

O mais curioso agora, tanto tempo depois, é perceber que todo esse génio já estava bem presente num disco como «Images And Words», um dos registos mais completos e on point que os músicos assinaram. O primeiro álbum dos DREAM THEATER com o (na altura) novo vocalista James LaBrie afirma-se como uma excelente mistura de estilos de metal progressivo com linhas vocais sinceras e algumas das letras mais instigantes que a música pesada tem para oferecer.

Mostrando desde bem cedo toda a resiliência que sempre os caracterizou, os músicos não se deixaram abater pelo abandono súbito de Charlie Dominici e, após terem feito audições a quase 200 candidatos e assinado um contrato com a multinacional Atco, deram continuidade ao seu percurso com um engenho impressionante.

Assinando uma mistura equilibrada de metal e rock progressivo com vocalizações sinceras e letras bem provocadoras, os DREAM THEATER, na altura formados por John Petrucci, John Myung, Mike Portnoy e Kevin Moore mostraram uma habilidade impressionante nos seus respectivos instrumentos, traduzida numa colecção de canções muito fortes e construídas de forma intrincada, que funcionaram como a base perfeita para LaBrie dar azo a toda a sua criatividade, espelhada na impressionante amplitude do seu registo vocal.

Ao trio base juntam-se, nesta fórmula de sucesso, os teclados de Kevin Moore, que tecem fortemente em canções intrincadamente construídas, enquanto James LaBrie mostra uma gama impressionante com o seu registo de tenor. Da complexidade de «Metropolis, Pt. 1» à épica «Learning To Live», passando pela emblemática «Pull Me Under» (que, com direito a vídeo-clip e edição em formato single, se transformou no primeiro grande êxito do grupo), o «Images And Words» afirmou de vez os DREAM THEATER como uma proposta musical acima da norma.