Após conquistarem novos públicos como banda suporte dos THE DARKNESS, as DEA MATRONA regressam ao LAV – Lisboa Ao Vivo para apresentar o álbum de estreia «For Your Sins» e também algumas novidades. Em jeito de antecipação, falámos com Orláith Forsythe, guitarrista e vocalista do grupo.
No próximo domingo, dia 8 de Fevereiro, as DEA MATRONA regressam a Lisboa para um espectáculo no LAV – Lisboa Ao Vivo. A data assinala o arranque da primeira digressão europeia como cabeças de cartaz do grupo de Belfast e surge menos de um ano depois da estreia da banda em Portugal, quando passaram pela capital como banda de abertura dos THE DARKNESS.
Essa primeira visita deixou uma impressão suficientemente forte para justificar este regresso rápido, com Orláith Forsythe, guitarrista e vocalista das DEA MATRONA, a recordar esse momento como um ponto de partida importante para a relação da banda com o público português. “Foi óptimo. Foi a nossa primeira vez em Lisboa, e também em Portugal… Adorámos o concerto, por isso obviamente que tínhamos de voltar em breve e fazer um espectáculo como cabeças de cartaz, o que vai ser muito divertido.”
A digressão europeia com os THE DARKNESS representou um passo relevante para as DEA MATRONA e permitiu-lhes tocarem em cidades onde nunca tinham estado antes, apresentando a sua música a novos públicos. Para Forsythe, a experiência foi também marcada pelo ambiente de camaradagem criado pela banda liderada por Justin Hawkins. “Foi muito fixe. Tocámos em muitos sítios novos onde nunca tínhamos estado antes e os THE DARKNESS foram muito simpáticos connosco. Convidaram-nos para a digressão e foram muito, muito queridos. Além disso, foi incrível vê-los actuar todas as noites, por isso divertimo-nos imenso.”
Para além da exposição natural que uma digressão deste tipo proporciona, houve também um contacto directo com quem estava a descobrir as DEA MATRONA pela primeira vez. Depois de muitos concertos, as DEA MATRONA faziam questão de permanecer junto da mesa de merchandising para conversar com quem se aproximava. “Esperamos que tenhamos conquistado muitos novos fãs e que apareçam agora nos concertos desta digressão europeia, que é muito entusiasmante. Depois de muitos concrtos ficávamos ali na banca de merchandising a falar com as pessoas, por isso foi muito giro ver uma nova audiência ali.”
É também essa resposta que ajuda a explicar a confiança com que as DEA MATRONA encaram agora a sua primeira digressão europeia como cabeças de cartaz. Ainda assim, a novidade traz consigo uma dose inevitável de entusiasmo e nervosismo. “Esta vai ser a nossa primeira digressão europeia como cabeças de cartaz. Já fizemos festivais e alguns concertos de apoio, mas nunca uma tour completa deste género. Por isso é um pouco assustador e excitante ao mesmo tempo. Acima de tudo estamos muito entusiasmadas por tocar para muita gente nova.”
Para a banda, este momento representa também um passo natural num percurso que tem vindo a crescer de forma consistente. “Sempre quisemos fazer uma digressão europeia como cabeças de cartaz, por isso esperamos que esta seja a primeira de muitas.” O momento justifica-o, sendo que trazem na bagagem o álbum de estreia, intitulado «For You Sins», editado em 2024 e amplamente elogiado pela crítica, mas também já têm novo material para tocar.
Convenhamos, o contraste com os primeiros tempos não podia ser maior. Quando começaram a tocar juntas, as ambições das DEA MATRONA eram bastante mais simples: tocar nas ruas de Belfast e ganhar algum dinheiro de bolso. “Quando começámos a tocar juntas, tudo o que queríamos era fazer busking nas ruas de Belfast para ganhar algum dinheiro. Nunca imaginámos que estaríamos a viajar pelo mundo a tocar para pessoas novas. Para nós, é realmente um sonho.”
Na Irlanda, o “busking” continua a ser uma tradição profundamente enraizada na cultura musical e, como explica Forsythe, esse ambiente ajudou a moldar os primeiros passos da banda. “A Irlanda tem música em todo o lado, em cada esquina, em cada pub. É muito comum simplesmente montar o equipamento e tocar… O busking é, muito provavelmente, a forma mais eficaz de meter o pé na porta.”
Durante algum tempo, essa foi precisamente a rotina diária das DEA MATRONA. A logística era simples, mas exigia resistência: um amplificador alimentado por baterias, instrumentos às costas e muitas horas seguidas a tocar no centro da cidade. “Era uma coisa muito DIY, sem dúvida. Pegávamos num amplificador com baterias, levávamo-lo para o centro de Belfast e tocávamos durante oito a dez horas por dia. Às vezes as mesmas seis músicas o dia inteiro — imagino que os lojistas da zona tenham ficado mesmo encantados“, diz ela com um sorriso tímido.
A transição para os palcos acabou por acontecer de forma gradual e, em grande medida, inesperada. O que começou como uma experiência de rua acabou por ganhar tração através da internet e de contactos que foram surgindo pelo caminho. “Nunca decidimos realmente começar a tocar em salas. Começámos a fazer busking e depois as pessoas começaram a ouvir-nos no YouTube. Surgiu um manager e começaram a aparecer convites para concertos, para tocar como banda de suporte ou em festivais. Não foi uma decisão consciente. Aconteceu quase por acidente.”
Hoje, o som das DEA MATRONA é frequentemente associado ao chamado classic rock, uma classificação que Forsythe considera compreensível, sobretudo tendo em conta as suas referências iniciais. “Quando começámos, as nossas influências eram essencialmente rock clássico, sem dúvida. Era o que ouvíamos mais na altura — coisas como Fleetwood Mac ou Led Zeppelin.” No entanto, com o acumular e experiência e o passar do tempo a identidade musical da banda foi-se tornando mais abrangente.
“À medida que fomos tocando mais e escrevendo mais músicas, começámos também a ouvir bandas como os Arctic Monkeys ou as Haim. Acho que acabou por ser uma progressão natural. Quando estás a escrever vais descobrindo o teu próprio som e encontrando novas coisas que funcionam para ti”, explica ela. Ainda assim, essa evolução aconteceu sem grandes cálculos estratégicos. Para as DEA MATRONA, a criação musical continua a ser um processo essencialmente orgânico. “A parte mais emocionante de criar música juntas é precisamente essa evolução constante.”
Também em estúdio a banda mantém uma abordagem bastante autónoma. A produção das gravações é, na maioria dos casos, assegurada por Orláith Forsythe e pela baixista Molly McGinn. “Produzimos a nossa própria música. Eu e a Molly produzimos o primeiro álbum todo e praticamente tudo o que fizemos desde o início. Isso permite-nos passar mais tempo a trabalhar nos detalhes, embora às vezes também torne mais difícil decidir quando algo está realmente terminado.”
Se no estúdio o processo tende a ser mais meticuloso, em palco a energia ganha frequentemente uma dimensão diferente. Quem assistiu ao concerto de Lisboa na digressão dos THE DARKNESS poderá ter reparado que as músicas adquirem um peso adicional quando são tocadas ao vivo. “Talvez seja porque já estávamos no final da digressão e completamente dentro das músicas. Quando tocas muitas noites seguidas ficas cada vez mais confortável com elas.”
Forsythe acredita que a presença do público desempenha um papel determinante nesse processo. “No estúdio não tens uma plateia à tua frente. Ao vivo, o público pode puxar por ti e fazer com que toques com um pouco mais de peso.” Apesar disso, a banda prefere evitar uma abordagem demasiado rígida quando prepara os concertos. Os ensaios existem, naturalmente, mas deixam espaço para espontaneidade em palco. “Ensaiamos o suficiente para estarmos confortáveis com as músicas, mas em digressão há sempre coisas que acontecem ao vivo que não consegues prever nos ensaios. Por isso deixamos algum espaço para que tudo possa acontecer.”
Essa abertura à imprevisibilidade deverá fazer parte do concerto que marcará agora o regresso das DEA MATRONA a Lisboa. Sendo um espectáculo como cabeças de cartaz, o alinhamento será naturalmente mais longo do que o apresentado na última passagem pela cidade. “Vai ser um concerto maior do que aquele que fizemos quando abrimos para os THE DARKNESS. Esperamos também tocar alguma música nova. Há algumas canções novas em que temos estado a trabalhar e esperamos incluí-las no alinhamento. Vamos experimentá-las ao vivo e ver o que acontece.”
Por tudo isso, o concerto no LAV – LIsboa Ao Vivo terá um significado especial para as DEA MATRONA. Além de marcar o início da nova digressão, representa também o primeiro teste de uma série de ideias recentes da banda. E, como admite Forsythe com humor, tudo dependerá também da forma como o público receber o trio. “Esperamos que o público em Lisboa seja simpático connosco. Não tornem as coisas demasiado difíceis. Vamos todos divertir-nos.”
Depois de uma breve digressão recente no Reino Unido, a banda sente que já passou tempo suficiente longe da estrada. “Estamos mesmo com vontade de voltar a tocar. Duas semanas já é demasiado tempo sem concertos”, confessa ela, provando que, para um grupo que começou a tocar durante horas seguidas nas ruas de Belfast, essa vontade constante de subir ao palco continua a ser o elemento central da sua identidade.
A diferença é que, desta vez, a viagem parte de Lisboa e estende-se por uma digressão europeia inteira — um percurso que confirma como, por vezes, os sonhos mais simples acabam por ganhar uma escala inesperada. Os bilhetes para o concerto, que conta com os nacionais THE BATELEURS na primeira parte, custam 22€, à venda em primeartists.eu e nos locais habituais.







