O novo álbum dos CRIPPLED BLACK PHOENIX vai ser editado oficialmente amanhã, sexta-feira, 17 de Abril, e marca um desvio introspectivo na discografia do colectivo liderado por Justin Greaves.
«Sceaduhelm», o novo álbum dos CRIPPLED BLACK PHOENIX, que tem data de edição oficial agendada para amanhã, 17 de Abril, através da Season Of Mist, já pode ser escutado na íntegra em baixo. Com 12 temas e mais de sessenta e seis minutos de duração, o disco apresenta-se como o registo mais austero e introspectivo da carreira do projecto britânico, abandonando a escala colectiva dos trabalhos anteriores em favor de uma análise mais silenciosa e interior.
Como podes conferir em baixo, ao longo de «Sceaduhelm», os CRIPPLED BLACK PHOENIX afastam-se das abordagens centradas em violência histórica e fractura social para explorarem aquilo que permanece após o colapso: desgaste emocional, luto, cumplicidade e relações fragilizadas. Em vez de um conceptual tradicional, o novo LP desenvolve-se como um espaço psicológico, sustentado por estruturas bem lentas, repetição minimalista e uma tensão que raramente encontra resolução. As vozes de Belinda Kordic, Ryan Patterson e Justin Storms distribuem-se ao longo dos temas, cada uma assumindo um registo emocional próprio, mas integrado numa mesma linha narrativa.
A produção do novo álbum dos CRIPPLED BLACK PHOENIX ficou a cargo de Justin Greaves, com sessões de gravação a decorrer em diferentes localizações, incluindo os famosos Chapel Studios, no Reino Unido, o Kapsylen Studio, em Estocolmo, e também o House Of Foto, no Kentucky. A mistura foi assinada por Iver Sandøy, no Solslottet Studio, em Bergen, enquanto a masterização esteve a cargo de Magnus Lindberg, na Suécia. A componente visual ficou nas mãos de Erebus Art, pseudónimo de Thanasis Stratidakis.
Formados em 2004 por Justin Greaves, os CRIPPLED BLACK PHOENIX tomaram forma como um projecto deliberadamente mutável, construído em torno da colaboração e da recusa de uma identidade fixa. Após a passagem do músico pelos IRON MONKEY, o colectivo afirmou-se graças a uma abordagem que cruza composição expansiva, densidade emocional e uma forte dimensão ética, frequentemente centrada nas vozes marginalizadas. Ao longo dos anos, essa visão foi aprofundada com a contribuição determinante de Belinda Kordic, cuja presença ultrapassa o plano vocal para influenciar o enquadramento conceptual da banda.
Álbuns como «A Love Of Shared Disasters», «The Resurrectionists» e, uns anos mais tarde, «I, Vigilante» consolidaram a reputação do grupo, equilibrando composições extensas com uma linguagem ainda mais directa sem abdicar da carga atmosférica. LPs subsequentes, como «White Light Generator», «Bronze» e «Great Escape», demonstraram uma recusa consistente em estabilizar fórmulas, continuando a introduzir novas texturas e uma abordagem mais confrontacional.
Já em «Ellengæst», editado em 2020, o recurso a múltiplas vozes convidadas reforçou muito a dimensão fragmentada e melancólica da obra, num contexto marcado pela suspensão da atividade ao vivo durante a pandemia. Mais recentemente, «Banefyre» voltou a ampliar o alcance temático dos CRIPPLED BLACK PHOENIX, abordando temas como a perseguição, desigualdade e violência sistémica com uma produção deliberadamente crua.
Nesse contexto, «Sceaduhelm» surge não como ruptura, mas como um estreitamento de foco. Escrito maioritariamente entre 2023 e 2025, o disco foi desenvolvido num processo marcado pela incerteza e pela dúvida prolongada, mantendo as composições abertas até às fases mais avançadas da produção.
Por tudo isso, dentro da muito versátil discografia dos CRIPPLED BLACK PHOENIX, «Sceaduhelm» trata de posicionar-se como um registo de exposição e resistência, muito mais interessado em documentar um estado emocional do que em oferecer resolução. Num percurso marcado pela constante transformação, o novo LP reafirma a recusa do colectivo em procurar respostas fáceis ou acomodar expectativas externas. «Sceaduhelm» tem data de edição agendada para 17 de Abril através da Season Of Mist, com as pré-encomendas dos formatos físicos ainda disponíveis.




