corpus christii

CORPUS CHRISTII e IRAE juntam-se para celebrar cinco marcos do black metal português

Os CORPUS CHRISTII revisitam a ‘The Torment Trilogy’, enquanto os IRAE recuperam «Avé Sathanas (I Was Born To Murder The World)» e «Terror 666» numa noite dedicada a diferentes capítulos da história mais obscura do underground nacional.

O black metal português tem uma história construída longe dos holofotes, alimentada por convicções inabaláveis, por sonoridades extremas e por lançamentos que conquistaram estatuto de grande culto ao longo dos anos. A 19 de Dezembro, dois dos nomes mais representativos dessa realidade encontram-se na República da Música, em Lisboa, para um concerto especial que coloca no centro das atenções cinco registos fundamentais dos seus respectivos percursos: os CORPUS CHRISTII e os IRAE vão subir ao palco com alinhamentos dedicados a algumas das obras que ajudaram a definir a identidade de ambos os projectos.

Mais que uma noite com duas referências do metal extremo nacional, a iniciativa propõe uma viagem por diferentes momentos de duas discografias marcadas pela fidelidade às raízes mais cruas e obscuras do género — e os bilhetes já estão disponíveis através da Unkind.pt.

Formados em 1998, os CORPUS CHRISTII construíram uma reputação que ultrapassou as fronteiras nacionais, afirmando-se através de uma abordagem ortodoxa e implacável ao black metal. Liderado por Nocturnus Horrendus, a banda transformou-se numa das referências incontornáveis da cena portuguesa, sustentando ao longo de quase três décadas uma identidade artística própria, profundamente ligada à tradição mais radical do género.

Para este concerto em Lisboa, o grupo vai concentrar-se na chamada The Torment Trilogy, uma das fases mais marcantes da sua discografia. O alinhamento terá como ponto de partida «Tormented Belief», editado originalmente em 2003, seguindo-se «The Torment Continues», de 2005, e «Rising», lançado em 2007. Três capítulos que permitem revisitar uma etapa particularmente importante na evolução dos CORPUS CHRISTII e que, nesta ocasião, terão direito a um tratamento especial em palco.

Como será fácil de perceber, a escolha destes álbuns oferece aos seguidores de Nocturnus e companhia a oportunidade de regressar a uma fase específica do seu percurso, recuperando algum do material que ajudou a consolidar o seu lugar entre os nomes de maior referência e peso do black metal nacional. Portanto, para quem acompanha os CORPUS CHRISTII desde os primeiros anos, será também uma ocasião para reencontrar composições associadas a um período decisivo da sua história.

Do outro lado desta noite estarão os IRAE, projecto criado em 2002 por Vulturius e que, logo desde o início, desenvolveu uma linguagem própria dentro das vertentes mais agressivas e sombrias do black metal. A sua trajectória tem sido marcada por uma estética deliberadamente crua e visceral, com uma identidade profundamente enraizada no underground português.

Para o concerto de 19 de Dezembro, a banda da Brandoa vai recuperar dois momentos determinantes dessa caminhada. O primeiro é «Avé Sathanas (I Was Born To Murder The World)», maqueta editada em 2004, numa fase inicial em que o grupo começava a estabelecer as bases da sua sonoridade. O segundo é «Terror 666», o longa-duração de estreia lançado originalmente em 2006, e que assinala duas décadas de existência em 2026.

A celebração dos 20 anos de «Terror 666» acrescenta, assim, um significado particular à actuação dos IRAE. Ao colocar este LP em destaque, a banda regressa a uma das pedras basilares da sua discografia, recuperando igualmente a maqueta que o antecedeu e que integra os primeiros capítulos da visão artística de Vulturius.

Apesar de partilharem uma ligação à vertente mais tradicional e intransigente do black metal, os CORPUS CHRISTII e IRAE representam percursos distintos dentro da cena underground portuguesa. A proposta para esta noite passa precisamente por fazer notar essas diferenças, colocando lado a lado a trilogia que marcou uma fase central da carreira dos primeiros e os dois registos que ajudaram a estabelecer a identidade dos segundos.

A República da Música recebe, assim, a 19 de Dezembro, uma iniciativa dirigida tanto aos seguidores de longa data destas duas instituições do underground nacional como a quem procura conhecer melhor alguns dos trabalhos que moldaram o black metal feito em Portugal.