Sombras familiares, novos colaboradores e a promessa de um nono álbum: CHELSEA WOLFE volta a fazer a sua aparição silenciosa — e, desta vez, com força redobrada.
A cantora e compositora Chelsea Wolfe anunciou esta semana uma extensa digressão que percorrerá os Estados Unidos e a Europa no Outono de 2026, e apresentou simultaneamente dois novos temas: «The Dark» e «Death Is Not the End». Trata-se da primeira música nova desde o lançamento o aclamado LP «She Reaches Out to She Reaches Out to She», de 2024, e os dois singles adiantam já um nono álbum de estúdio, ainda sem título oficial, a editar pela Loma Vista.
«Death Is Not the End» é, sem dúvida, a mais cinematográfica das duas faixas. Abre com piano contido e uma voz sussurrada de rara e delicada beleza — “I keep hoping death is like the ocean / And I’m floating” —, antes de se transformar numa explosão de peso considerável.
Neste tema, que pode ser ouvido no player em baixo, Chelsea Wolfe e o seu colaborador de longa data Ben Chisolm contaram com a participação especial do guitarrista Robin Finck, antigo membro dos NINE INCH NAILS e dos GUNS N’ ROSES, e do baterista de sessão Matt Chamberlain, conhecido pelo trabalho com Tori Amos e Fiona Apple.
«The Dark», por seu lado, parte de uma atmosfera igualmente etérea — dedilhados acústicos, vozes ecoadas como que vindas de outro plano — e segue uma arquitectura semelhante: a calmaria inicial desemboca num final de intensidade crescente. Neste tema, os colaboradores são a baterista Stella Mozgawa (das WARPAINT, Courtney Barnett) e o baixista Justin Meldal-Johnsen, figura de referência que já trabalhou com os AIR e com Beck.
A escolha dos colaboradores não é casual: são músicos associados a projectos de grande rigor estético e identidade sonora bem vincada, o que sugere que o novo álbum de Chelsea Wolfe poderá constituir uma expansão das linguagens já exploradas no muitíssimo aplaudido «She Reaches Out To She Reaches Out To She» — o LP que consolidou a Sra. Wolfe como uma das vozes mais originais e coerentes da música alternativa norte-americana da última década.
Aproveitando o embalo, a cantautora anunciou também uma digressão, a The Dark World Tour, como foi baptizada, que arranca no dia 16 de Setembro em São Francisco e percorre as principais cidades norte-americanas — Seattle, Chicago, Boston, Nova Iorque, Atlanta, Dallas, entre outras — até 23 de Outubro, onde termina com um concerto em Los Angeles. A etapa europeia tem início marcado para o dia 21 de Novembro em Utrech, nos Países Baixos, e termina a 19 de Dezembro em Atenas, na Grécia.
Até ao momento, a digressão europeia ainda não contempla quaisquer datas confirmadas em Portugal, mas o percurso geográfico anunciado — atravessando a Europa central e meridional ao longo de quase um mês — deixa margem para que o calendário seja expandido durante os próximos meses.
Em paralelo com este regresso musical, Chelsea Wolfe foi também confirmada como figura central de uma campanha da marca de perfumes Heretic Parfum. A colaboração resultou em GHOSTS, colecção de cinco fragrâncias descritas como “espectrais”, cuja identidade visual e olfactiva se alinha com o universo estético que a artista tem cultivado ao longo da carreira — sombra, beleza perturbadora e espiritualidade pagã. Importa aqui notar que a presença de Wolfe neste contexto não surge como exercício de branding superficial, mas como extensão coerente de uma imagem artística que há muito transcende a música.
Os dois novos singles chegam também na sequência de «Mean», a colaboração com os HEALTH lançada em 2025, que manteve Chelsea Wolfe activa, mas à margem de um projecto a solo próprio. Agora, com o duplo-single agora estreado, composto por dois temas de alcance distinto mas esteticamente coesos, um álbum a caminho e uma digressão intercontinental confirmada, a artista californiana volta uma vez mais a afirmar uma posição que nunca chegou verdadeiramente a abandonar: a de uma criadora que opera nas margens do mainstream com uma autoridade que poucos conseguem reivindicar.





