Sem aviso prévio, sem entrevistas, sem singles a preparar o terreno. Desta vez, os californianos AVENGED SEVENFOLD escolheram o silêncio como estratégia — e o resultado é o disco mais estranho da sua carreira.
Foi sem aviso, sem campanha de promoção e sem uma única declaração à imprensa que os AVENGED SEVENFOLD decidiram, hoje, sexta-feira, 24 de Julho, atirar para as plataformas de streaming um EP completamente inesperado. «Statica» — é assim que se chama o registo — reúne quatro temas, «Lights», «Statica», «Rejoice» e «Ashes», e soma pouco mais de dezoito minutos de duração. Pouco, em tempo de relógio. Muito, em termos do que revela sobre o momento criativo da banda de Huntington Beach.
Quem conhece os AVENGED SEVENFOLD apenas pelo radialismo acessível de «Hail To The King» ou pelas homenagens ao rock clássico e ao heavy metal oitentista que definiram «City Of Evil» vai encontrar, em «Statica», um território irreconhecível. Não há guitarras a evocar os Iron Maiden ou os Guns N’ Roses. Não há os riffs de arena que consagraram o quinteto junto de gerações de fãs do metal moderno mais melódico. Em vez disso, há vozes tratadas electronicamente, sintetizadores de inspiração futurista e batidas de raiz electrónica que dominam por completo a paisagem sonora.
Esta não é, ainda assim, uma reviravolta súbita… nem totalmente inexplicável. Desde o lançamento de «The Stage», em 2016, os AVENGED SEVENFOLD têm vindo a construir, disco a disco, um percurso de progressiva desconstrução da própria identidade sonora que os projectou para o mainstream do metal norte-americano. Esse álbum, de ambições conceptuais e progressivas, vinha anunciar um desejo de fuga às fórmulas fáceis. «Life Is But A Dream…», de 2023, aprofundou esse desvio, abraçando estruturas fragmentadas, texturas experimentais e uma abordagem quase avant-garde à composição, afastando-se definitivamente do público mais conservador da banda.
«Statica» surge, assim, como o culminar lógico — ainda que extremo — dessa derivação. A crítica internacional tem comparado o novo trabalho a nomes como Daft Punk, Slift ou Muse na sua vertente mais psicadélica e electrónica, numa aproximação que, há uns anos, seria impensável associar a uma banda como AVENGED SEVENFOLD, nascida no seio da cena metalcore californiana do início dos anos 2000.
Tão significativa quanto o próprio som é a forma como o EP chegou ao público. Não houve anúncio, não houve teasers nas redes sociais, não houve o já habitual ciclo promocional de singles avulsos a preceder a edição. Os AVENGED SEVENFOLD optaram por uma estratégia de ruptura total com o calendário convencional da indústria musical — e essa opção, por si só, funciona como a proverbial declaração de intenções. Numa altura em que o mercado tende a maximizar cada lançamento com semanas, ou meses, de exposição mediática, o silêncio tornou-se, aqui, um gesto quase provocador.
O momento escolhido não é, contudo, inteiramente acidental. «Statica» chega precisamente na véspera do arranque da digressão dos AVENGED SEVENFOLD por arenas e recintos de média dimensão nos Estados Unidos, que terá os Good Charlotte como banda de abertura. Resta agora perceber se este novo capítulo sonoro se irá reflectir também no alinhamento dos concertos, ou se permanecerá, para já, uma incursão isolada e paralela ao repertório mais reconhecível do grupo.



