AMON AMARTH

AMON AMARTH trocam os machados por pistolas no vídeo-clip de «Eight Legs Of Thunder» [streaming]

Com «Eight Legs Of Thunder», os AMON AMARTH mostram que a sua interpretação da mitologia nórdica não precisa de permanecer confinada aos campos de batalha vikings. Entre machados, espadas e dracares, há agora espaço para cavalos de oito patas, pistoleiros e paisagens poeirentas do Velho Oeste — tudo ao serviço de uma das histórias mais épicas do universo da banda.

Os AMON AMARTH continuam a revelar novos detalhes de «The Allfather Awakens», o seu próximo LP de estúdio, e acabam de lançar um novo vídeo-clip para «Eight Legs Of Thunder». Desta vez, a banda sueca leva a sua habitual paixão pela mitologia nórdica para um território inesperado: o Velho Oeste. O resultado é uma combinação pouco convencional de death metal melódico, lendas vikings, poeira e cowboys, numa abordagem visual que evita os clichés habitualmente associados aos vídeo-clips do grupo.

«Eight Legs Of Thunder» é mais um avanço de «The Allfather Awakens», o 13.º álbum de estúdio dos AMON AMARTH, que chega às lojas a 2 de Outubro através da Metal Blade Records. Realizado por Dariusz Szermanowicz, o vídeo coloca a banda num cenário inspirado pelo imaginário western, cruzando a estética árida e violenta dos clássicos do género com a figura de Sleipnir, o lendário cavalo de oito patas de Oden. A escolha não é meramente estética: a própria canção é construída em torno da imagem de Sleipnir como companheiro de batalha, conduzindo o deus nórdico para o confronto final.

Com a «Eight Legs Of Thunder» quisemos quebrar novamente o molde tradicional dos vídeos de metal“, explica Szermanowicz. “Decidimos fundir a atmosfera crua e poeirenta de um western moderno com a mitologia épica e sombria do corcel de oito patas de Oden” O realizador acrescenta que a intenção passou por criar uma experiência cinematográfica, com tensão de cowboy, acção e uma dose de humor negro, em vez de simplesmente produzir mais um vídeo-clip convencional.

Musicalmente, «Eight Legs Of Thunder» encaixa na vertente mais épica e guerreira dos AMON AMARTH. A letra acompanha uma cavalgada rumo à batalha, evocando Vigrid, Ragnarök e os Einherjar, enquanto Sleipnir surge como o veículo através do qual o guerreiro enfrenta o seu destino. No final, a imagem do cavalo de oito patas assume uma dimensão particularmente ligada à mitologia nórdica, com Sleipnir a transportar o protagonista de regresso depois da morte.

Como será fácil de perceber, apesar desta tangente, «The Allfather Awakens» representa mais uma incursão dos suecos AMON AMARTH no universo mitológico que há décadas serve de matéria-prima à sua identidade artística. Oden — o “Allfather” do título, associado na mitologia nórdica à guerra, sabedoria, morte, magia e poesia — continua a funcionar como figura central nas letras e na iconografia do grupo.

Ainda assim, a banda faz questão de sublinhar que o novo registo não é mais um álbum conceptual. Em vez de contar uma única história do princípio ao fim, «The Allfather Awakens» reúne diferentes narrativas épicas inspiradas em acontecimentos históricos, mitologia e temas como conflito, sacrifício e a procura de um propósito maior.

O álbum abre com «Gjallarhorn», tema já anteriormente apresentado pelos suecos. A canção recupera o episódio em que Oden procura obter sabedoria junto do poço de Mímisbrunnr, estando disposto a sacrificar um dos olhos em troca desse conhecimento. A música surge como um contraste deliberado com «Upphaf», a primeira experiência acústica da carreira dos AMON AMARTH, que tinha sido apresentada como uma interpretação de uma passagem da «Völuspá».

E se «Upphaf» apostava numa abordagem despojada e quase cerimonial, «Gjallarhorn» recupera imediatamente a fórmula mais reconhecível da banda: riffs de guitarra vigorosos, andamento acelerado e um refrão desenhado para ser cantado em conjunto pelo público. «Eight Legs Of Thunder» surge agora como uma narrativa de batalha, reforçando a dimensão épica que atravessa o novo disco.

Segundo os AMON AMARTH, «The Allfather Awakens» nasceu também de uma mudança no processo criativo do grupo. Em vez de esperar pelo fim das digressões para começar a trabalhar no sucessor de «The Great Heathen Army», de 2022, a banda começou a escrever material enquanto ainda estava na estrada. O processo de gravação decorreu depois em duas sessões distintas no estúdio de Jacob Hansen, na Dinamarca. A primeira aconteceu na primavera de 2025, enquanto a gravação final ficou concluída em Março de 2026. A estratégia permitiu ao grupo concentrar-se individualmente em cada composição, tratando cada tema como uma unidade autónoma antes de avançar para o seguinte.

Trabalhámos numa música de cada vez e tornámos cada uma delas tão boa quanto possível“, diz o guitarrista Olavi Mikkonen. A banda gravou cada composição de forma completa — bateria, guitarras e vozes — antes de passar à seguinte. Esta abordagem refletiu-se também no som das guitarras. Desta vez, os AMON AMARTH procuraram afastar-se ligeiramente de uma produção mais moderna, abandonando os amplificadores 5150 em favor dos tradicionais Marshall.

Recorde-se que os AMON AMARTH actuam em Lisboa em Novembro, podes conferir a capa e o alinhamento completo do disco em baixo, as pré-encomendas dos formatos físicos já estão disponíveis através da Metal Blade Records.