Numa entrevista recente, Jerry Cantrell, o timoneiro dos ALICEIN CHAINS, reacendeu a hipótese de novo material da banda, depois de um ano marcado por cancelamentos e por uma única actuação especial em homenagem a Ozzy Osbourne e aos BLACK SABBATH.
Depois de um 2025 profundamente atípico, os ALICE IN CHAINS poderão regressar à actividade criativa em 2026, com a possibilidade real de trabalharem naquele que seria o sétimo LP de estúdio da banda. A revelação partiu de Jerry Cantrell, guitarrista, vocalista e principal compositor do grupo de Seattle, numa entrevista concedida ao Cleveland.com, onde fez um balanço dos últimos meses e abriu a porta a novos planos para o futuro próximo.
Como é do conhecimento geral, o último ano acabou por ser dominado por circunstâncias inesperadas, nomeadamente um susto de saúde que envolveu o baterista Sean Kinney, acabando por dar origem ao cancelamento de vários concertos e inviabilizar uma digressão que já estava planeada. Como resultado, a única actuação dos ALICE IN CHAINS em 2025 aconteceu em Julho, no Back To The Beginning, o evento que marcou a despedida ao vivo de Ozzy Osbourne e da formação original dos BLACK SABBATH.
Actualmente a concluir o ciclo de promoção do seu mais recente trabalho a solo, «I Want Blood», o líder dos ALICE IN CHAINS explicou que os próximos passos ainda estão em aberto, mas que a hipótese de um novo disco está claramente em cima da mesa. “Estamos praticamente a fechar o capítulo do «I Want Blood», depois vou tirar uma parte do Inverno para descansar e ver em que ponto estamos”, começou por dizer ele.
“A nossa intenção era trabalhar, mas tivemos um pequeno susto de saúde com o Sean, o que nos obrigou a cancelar alguns concertos. Tínhamos também uma digressão planeada para essa altura, que acabou por não acontecer. Tivemos algum azar; queríamos fazer muito mais em 2025, mas simplesmente não resultou. Vamos voltar a olhar para isso provavelmente nas próximas semanas e decidir o que vamos fazer, se entrar em estúdio para fazer outro disco ou tocar ao vivo — ou as duas coisas.”
A entrevista abordou ainda o significado emocional e histórico da participação dos ALICE IN CHAINS no concerto de despedida de Ozzy Osbourne. “Na verdade, foi algo lindíssimo, e fico muito feliz por termos podido testemunhar tudo aquilo e participar um pouco, e simplesmente ver aquilo acontecer para aqueles tipos”, recordou Cantrell. “O Ozzy ter-se forçado a fazê-lo pela Sharon, pela banda e pelo Tom Morello, e toda a gente ter organizado aquilo, com tantas grandes bandas… Somos todos fãs dos Sabbath e do Ozzy. Isso é seminal. Nenhum de nós existiria realmente sem eles.”
Para Cantrell, a influência dos BLACK SABBATH atravessa várias gerações e continua a ser um elemento fundador da identidade de inúmeras bandas de rock e metal. “Há um ADN muito forte dos Sabbath e do Ozzy em todos nós — e com toda a legitimidade, conquistado. Eles são uma das maiores bandas de todos os tempos”, sublinhou. “Ter podido fazer parte disso — especialmente agora, à luz da morte do Ozzy — é algo quase mágico. Não se consegue inventar uma história dessas.”
O guitarrista recordou ainda uma das frases mais célebres de Osbourne para ilustrar a singularidade daquele momento final. “Lembro-me de uma citação do próprio Ozzy sobre si mesmo: ‘Não me podiam inventar. Eu não acreditaria, a minha vida é do caraças’”, contou o guitarrista e vocalista dos ALICE IN CHAINS. “Ele conseguiu fechar o ciclo exatamente como queria. Quantas pessoas têm a oportunidade de ter um capítulo final assim na vida?”.
Sem confirmações oficiais nem calendários definidos, 2026 surge, assim, como um ano-chave para o futuro dos ALICE IN CHAINS, seja através de novos concertos, de um aguardado sucessor de «Rainier Fog», ou de ambas as possibilidades em simultâneo. Para já, a banda de Seattle prefere avançar com cautela, deixando claro que a prioridade continua a ser a saúde e o tempo certo para voltar a criar.











