“Para avançar, temos primeiro de dar um passo atrás”, explicam os WHILE SHE SLEEPS, num momento de reflexão sobre duas décadas de carreira sob a pressão constante da indústria musical.
Os WHILE SHE SLEEPS anunciaram oficialmente a suspensão de todos os planos de digressão, marcando uma pausa muito significativa na sua actividade ao vivo após o concerto especial realizado em Dezembro, na sua cidade natal de Doncaster,no Reino Unido. A decisão surge acompanhada pelo lançamento de um mini-documentário, intitulado The Paradox Of Progress, onde a banda revisita duas décadas de percurso e expõe, com uma franqueza invulgar, o impacto da chamada “corrida dos ratos” da indústria musical contemporânea.
Conhecidos por manterem um controlo férreo sobre a sua identidade artística e por seguirem caminho independente dentro do metal moderno britânico, os WHILE SHE SLEEPS aproveitam o documentário para questionar a lógica actual do mercado. Mat Welsh, guitarrista e vocalista, sintetiza o dilema que enfrentam: “A indústria quer mais música, mais frequentemente, se quisermos acompanhar a corrida dos algoritmos de streaming, o que levanta a questão: o que cai primeiro, a sanidade do artista ou a qualidade do seu trabalho?”.
No documentário, descrito como uma viagem “à velocidade da luz” pelas últimas duas décadas, a banda revisita momentos de tensão, superação e decisões difíceis. “Este documentário leva-vos numa viagem à velocidade da luz pelos últimos 20 anos, que muitas vezes é como a nossa carreira pareceu. Houve tantos momentos em que provavelmente podíamos ter atirado a toalha ao chão, mas escolhemos sempre seguir caminho, apoiar-nos uns aos outros e escolher a estrada menos óbvia para chegar onde estamos”, afirma Mat Welsh.
A pausa agora anunciada representa, segundo o próprio, uma das decisões mais complexas do percurso dos WHILE SHE SLEEPS. “Este próximo passo é uma das decisões mais difíceis que alguma vez tomámos. Sacrificar a nossa principal fonte de rendimento — os concertos ao vivo — pela aposta no que pode ser possível quando carregamos no ‘pause’ do mundo exterior e da corrida da indústria musical”, explica.
Para o músico, o ritmo actualmente imposto pelo mercado cria uma pressão constante de comparação e de produtividade: “É tão fácil passarmos o tempo todo a olhar para os outros e pensar que precisamos de acompanhar o mesmo ritmo, sacrificando a nossa própria saúde mental. Chegámos onde chegámos porque fizemos as coisas ‘à nossa maneira’ e isto é reforçar essa abordagem.”
Esta reflexão encontra eco também nas palavras de Sean Long, guitarrista dos WHILE SHE SLEEPS, que aponta para o núcleo essencial do projecto: “A música foi aquilo que nos juntou a todos em primeiro lugar e será a única coisa que vai durar para sempre. Portanto, este acaba por ser o paradoxo do nosso progresso; para avançar temos primeiro de dar um passo atrás.”
Com esta pausa, os WHILE SHE SLEEPS afastam-se temporariamente dos palcos, abrindo espaço para reavaliar prioridades criativas e pessoais num contexto cada vez mais exigente para artistas que operam fora dos grandes esquemas tradicionais. A banda promete novas actualizações em breve através da sua página oficial no Patreon. Sem datas marcadas e sem calendário anunciado para o regresso, o grupo opta por interromper o ciclo habitual de lançamentos e tours, reforçando aquela ideia de que, por vezes, a sustentabilidade artística exige desacelerar — mesmo quando tudo à volta empurra no sentido contrário.






