UHF

UHF anunciam um concerto fora do tempo e da rotina no LAV – Lisboa Ao Vivo

Quase meio século depois das primeiras canções, os UHF regressam à ideia de underground como gesto artístico e não como nostalgia, numa noite pensada para não se repetir.

Uma única data, um repertório raramente escutado e um conceito assumido desde a origem como sendo uma excepção. No dia 21 de Março, o LAV – Lisboa Ao Vivo recebe UHF Underground, um espectáculo de carácter singular que propõe uma leitura alternativa da história dos UHF, construída a partir das canções que nunca fizeram parte do corpo regular dos espetáculos da banda ou que apenas surgiram de forma episódica ao longo de décadas.

O nome não é arbitrário nem decorativo. Em Novembro de 1978, pouco depois da edição do EP «Jorge Morreu», António Sérgio descrevia as primeiras três canções dos UHF como “underground português“, sem reservas nem aspas. O radialista reconhecia ali uma nova linguagem literária e musical, nascida na margem sul do Tejo, marcada por uma relação directa com a realidade social que retractava e por uma crueza estética que dispensava filtros. Quase 47 anos depois da fundação da banda, essa designação é recuperada não como evocação histórica, mas como um ponto de partida para aquilo que só podemos descrever como desafio criativo deliberado.

O conceito UHF Underground assenta num alinhamento assumidamente fora do circuito habitual. São 22 canções escolhidas a partir de um repertório praticamente virgem em palco, temas que nunca integraram concertos regulares ou que apenas surgiram de forma pontual ao longo dos anos. Entre as composições que poderão integrar esta noite estão «Caçada», de 1979, «Concerto», de 1982, «Lisboa Hotel», de 1993, ou «Quero Sair Vivo (deste mundo menor)», de 2023, atravessando diferentes fases criativas da banda. Ainda assim, os UHF sublinham que o alinhamento não está fechado e que a imprevisibilidade faz parte integrante do conceito.

Essa opção estende-se à própria relação com o público. Não haverá espaço para pedidos de canções nem para repetições futuras deste formato. Trata-se de um espectáculo pensado para acontecer apenas uma vez, assumido como um acto singular numa carreira longa, marcada por uma inquietação constante e pela recusa da acomodação. Desde os primeiros passos da chamada locomotiva de Almada, os UHF têm feito dessa postura um traço identitário, agora reafirmado de forma clara e sem concessões.

Os bilhetes têm o preço único de 25 euros e ficam disponíveis a partir de 23 de Janeiro, às 09:00, através de uhf.pt e nos locais habituais. As portas do LAV – Lisboa ao Vivo abrem às 20:30, sendo que o início do espectáculo está marcado para as 21:30. Uma noite única, construída à margem do previsível, que propõe revisitar a história dos UHF a partir do que quase nunca foi ouvido.