STEVE HARRIS

IRON MAIDEN: STEVE HARRIS pondera sobre o eventual adeus da lendária banda britânica

Cinco décadas depois do primeiro ensaio, o futuro dos IRON MAIDEN continua em aberto, entre rumores de um concerto final e a possibilidade — ainda distante — de novo material de estúdio. Steve Harris revela o que lhe vai na alma.

Com os britânicos IRON MAIDEN a celebrarem 50 anos de carreira, as inevitáveis perguntas sobre um eventual espectáculo de despedida voltaram a ganhar força. Numa entrevista recente à Metal Hammer, Steve Harris, fundador, baixista e principal compositor da lendária banda britânica, abordou directamente a especulação, mantendo a habitual postura cautelosa e pragmática que o caracteriza desde os primeiros dias do grupo.

“Nós não tendemos a olhar para trás”, explicou Harris, sublinhando que, apesar do lançamento recente do livro Infinite Dreams, a mentalidade interna da banda continua focada no que ainda está por vir. “Eu sei que temos o livro cá fora e estivemos concentrados nisso, mas normalmente estamos mais interessados no que vem a seguir.” Esta declaração de Steve Harris reforça uma ideia recorrente no discurso dos IRON MAIDEN ao longo das últimas cinco décadas: a recusa em viver exclusivamente da nostalgia, mesmo quando o seu legado é constantemente celebrado.

Ainda assim, Harris não fechou completamente a porta à possibilidade de um adeus em grande escala, à semelhança do concerto Back To The Beginning, dos BLACK SABBATH, que reuniu várias gerações do heavy metal num evento histórico. “Parece que há pessoas que gostariam que isso acontecesse, mas não sei. Vamos ver.” A resposta, deliberadamente vaga, deixa claro que qualquer decisão desse calibre terá de surgir de forma orgânica e sem pressões externas.

O tema do futuro criativo da banda foi também abordado numa entrevista anterior à Metal Hammer, mas desta vez por Bruce Dickinson, que deixou escapar um raro vislumbre dos bastidores recentes dos IRON MAIDEN. O vocalista recordou um momento específico após a entrada de Simon Dawson, baterista que assumiu as baquetas em 2024, depois da retirada de Nicko McBrain devido a problemas de saúde.

“Eu disse: ‘O baterista está a tocar mesmo muito bem, não está? Talvez devêssemos fazer um novo disco’, contou Dickinson, acrescentando de imediato a reacção pouco entusiasmada de Steve Harris. “O Steve resmungou de imediato e disse-me que não tinha tempo.” A troca ilustra bem o equilíbrio delicado entre entusiasmo criativo e o peso da responsabilidade que acompanha a escrita de novo material numa banda com uma discografia tão extensa e influente.

Confrontado com esse episódio, Steve Harris foi directo na sua resposta, sem rodeios. “Não sei, essa é a resposta a isso”, afirmou, antes de explicar o processo exigente que envolve a composição. “Compor é stressante. Tranco-me e torturo-me durante algumas semanas. Não diria que é traumático, mas dá muito trabalho.” Uma descrição honesta que ajuda a perceber porque cada novo álbum dos IRON MAIDEN surge apenas quando existe total convicção artística, mesmo que isso implique longos intervalos entre lançamentos.

Essa abordagem intensa e quase obsessiva à composição é, afinal, um dos pilares que sustentaram os IRON MAIDEN ao longo de quase cinco décadas. Ao mesmo tempo, o entusiasmo demonstrado por Bruce Dickinson deixa bem claro que a chama criativa não se apagou por completo. Entre a prudência de Steve Harris e a energia contagiante de Dickinson, permanece um espaço onde novas ideias podem, eventualmente, ganhar forma.

Enquanto decisões sobre despedidas ou novos discos ficam em suspenso, os IRON MAIDEN continuam a afirmar-se como uma força dominante ao vivo. A digressão Run For Your Lives, integrada nas celebrações do 50.º aniversário da banda, prolonga-se por 2026 e inclui presenças em alguns dos maiores festivais europeus do próximo Verão. O ponto alto será um concerto histórico no Knebworth Park, em Londres, que se antecipa como o maior espectáculo alguma vez realizado pela banda em solo britânico. Por cá, a banda actua a 7 de Julho de 2026, no Estádio da Luz.

Num momento em que muitas bandas históricas optam por encerrar o ciclo com grandes declarações finais, os IRON MAIDEN mantêm-se fiéis à sua identidade: focados no presente, cautelosos quanto ao futuro e sempre guiados por uma ética de trabalho que não admite atalhos. Se haverá ou não um adeus formal, só o tempo o dirá. Para já, a banda continua na estrada, exactamente onde sempre pareceu fazer mais sentido existir.