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SOUNDGARDEN: Matt Cameron mostra como se toca a «Rusty Cage» [vídeo]

O baterista dos SOUNDGARDEN revisita um dos momentos mais exigentes de «Badmotorfinger» e revela como Chris Cornell o desafiou a entrar “apenas com base na sensação”.

Matt Cameron voltou a revisitar um dos temas mais emblemáticos da discografia dos SOUNDGARDEN, participando num novo vídeo da plataforma Drumeo dedicado à análise detalhada da sua prestação em «Rusty Cage», faixa originalmente editada em «Badmotorfinger», LP de 1991 que consolidou o estatuto da banda como uma das forças criativas mais relevantes da sua geração.

A análise centra-se, desde logo, na introdução explosiva da canção, momento particularmente exigente do ponto de vista técnico e interpretativo. Cameron revelou que a entrada abrupta da bateria não foi motivada por uma indicação musical tradicional, mas sim por uma orientação directa de Chris Cornell, que procurava uma abordagem baseada na intuição. “Isso foi estritamente uma questão de sensação”, explicou o baterista dos SOUNDGARDEN, sublinhando o desafio de entrar no momento certo sem qualquer referência rítmica explícita.

Após esse arranque intenso, Matt Cameron estabelece o groove que sustenta o tema, contribuindo muito para a sua identidade dinâmica e imprevisível. Ao longo dos versos, a execução revela ainda uma atenção particular aos detalhes, com acentuações cuidadosamente posicionadas para reforçar todo o impacto da interpretação vocal. Um dos exemplos mais evidentes ocorre durante a linha “I wanna break”, momento em que o baterista reforça a frase com um ataque preciso de prato. “No verso em que o Chris canta ‘I wanna break’, dei-lhe um crash ali mesmo — ‘I wanna break’ — boom.”

A secção intermédia do tema dos SOUNDGARDEN oferece também uma visão bem clara da abordagem musical de Cameron, particularmente na forma como interage com os restantes instrumentos. O baterista explicou que a utilização dos pratos não segue necessariamente a lógica convencional de marcação dos tempos fortes, sendo antes usada como elemento de acentuação complementar às guitarras.

“É um bom exemplo de como acentuo em conjunto com a guitarra. Os pratos não são usados apenas como downbeat; são usados mais como upbeat para acentuar as partes de guitarra.” Esta decisão contribui para a tensão rítmica que caracteriza o tema e reforça o diálogo entre os diferentes elementos da composição.

O vídeo segue o formato habitual da Drumeo, com Cameron a tocar sobre a gravação original de estúdio, permitindo observar em detalhe a execução das diferentes secções. No final, o músico interpreta ainda a canção na íntegra, oferecendo uma visão ainda mais clara da consistência e da precisão exigidas por uma composição que continua a permanecer como um dos momentos mais marcantes do enorme repertório dos lendários SOUNDGARDEN.

Figura central no desenvolvimento do som da banda, Cameron desempenhou um papel fundamental na definição da sua linguagem musical, contribuindo para discos essenciais como são o «Badmotorfinger» e o «Superunknown». Paralelamente aos SOUNDGARDEN, construiu um percurso de grande longevidade ao serviço dos PEARL JAM, grupo com o qual tocou durante 27 anos, até anunciar a sua saída no início do ano passado. Este vídeo surge como um testemunho da importância do seu contributo, oferecendo uma rara oportunidade para compreender o processo criativo e técnico por detrás de uma das composições mais influentes do rock alternativo das últimas décadas.