SEPULTURA

SEPULTURA excluem clássicos no ROCK IN RIO 2026 e focam-se apenas na era DERRICK GREEN

A decisão quebra com décadas de tradição e deixa de fora clássicos incontornáveis da fase inicial dos SEPULTURA. As reacções, claro, não se fizeram esperar.

Os SEPULTURA vão assinar um dos concertos mais discutidos da sua carreira recente com uma actuação dedicada exclusivamente à fase liderada por Derrick Green no Rock in Rio 2026. Como será fácil perceber, a decisão implica a exclusão total de temas clássicos associados à formação original do grupo, como são os casos de «Roots Bloody Roots», «Territory» ou «Refuse/Resist», marcando uma ruptura assumida em relação ao legado dos anos 80/90.

A escolha surge num momento particularmente simbólico, numa altura em que os SEPULTURA estão em plena digressão de despedida, iniciada a 1 de Março de 2024, com um concerto em Belo Horizonte. Esse espectáculo ficou também marcado pela estreia ao vivo do baterista Greyson Nekrutman, anteriormente ligado aos SUICIDAL TENDENCIES, reforçando uma nova fase na recta final da trajectória do grupo.

A história desta divisão remonta a 1996, quando o fundador Max Cavalera abandonou os SEPULTURA na sequência de um conflito interno relacionado com a gestão da banda, então a cargo de Gloria Cavalera. O seu irmão, Igor Cavalera, permaneceu ainda uma década antes de também sair e reunir-se novamente com Max no projecto CAVALERA CONSPIRACY. A entrada de Derrick Green, em 1997, marcou o início de um novo capítulo para a banda, inicialmente recebido com divisão por parte dos fãs, mas que, ao longo dos anos, consolidou uma identidade própria.

Apesar da discografia da era Max Cavalera, com álbuns como «Beneath The Remains», «Arise», «Chaos A.D.» e «Roots», continuar a ser a mais reconhecida comercialmente, os SEPULTURA conseguiram manter uma base de seguidores fiel ao longo de mais de três décadas, sustentando uma produção consistente e exploratória.

Numa entrevista concedida em 2020 ao podcast Scars And Guitars, Derrick Green abordou precisamente a constante associação ao passado da banda: “Acho que, para algumas pessoas, é difícil seguir em frente. É difícil mudar em geral — há medo da mudança, do inesperado que vem com ela. Para certas pessoas isso é complicado, mas tudo bem… Não é aí que estamos musicalmente, e ainda bem que conseguimos avançar sem depender apenas do passado.”

O concerto no Rock in Rio, agendado para o dia 5 de Setembro, no Rio de Janeiro, pode ser interpretado como uma afirmação final dessa visão, ao privilegiar exclusivamente o material criado ao longo da era Derrick Green — um período que, embora muitas vezes comparado ao passado, representa já a maior fatia da história da banda. Recorde-se a banda actua no Rock In Rio Lisboa a 21 de Junho, não havendo qualquer indício de que façam o mesmo por cá.

Entretanto, os SEPULTURA preparam também o lançamento do EP «The Cloud Of Unknowing», que vai ser lançado a 24 de Abril através da Nuclear Blast Records. Descrito como um disco diverso e emocional, este registo de apenas quatro temas é apresentado como uma despedida agridoce, reunindo diferentes facetas da sonoridade que definiu o grupo ao longo dos anos.