A notícia foi confirmada pela família e pelos PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS, banda onde tocava ao lado dos filhos. O músico galês deixa uma marca profunda na história do heavy metal e do rock’n’roll.
O guitarrista Phil Campbell, conhecido sobretudo pelo seu longo percurso nos MOTÖRHEAD, morreu aos 64 anos. A notícia foi divulgada este Sábado, 14 de março, através de uma publicação nas redes sociais dos PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS, grupo que liderava ao lado dos filhos Todd, Dane e Tyla Campbell.
Na mensagem partilhada pela banda, a família confirmou que o músico morreu após complicações médicas relacionadas com uma operação recente. “É com grande tristeza que anunciamos o falecimento do nosso querido pai, Philip Anthony Campbell, que partiu pacificamente ontem à noite depois de uma longa e corajosa batalha em cuidados intensivos após uma grande operação complexa.”
O comunicado destaca também a dimensão pessoal de Phil Campbell, recordado como figura central na vida familiar. “O Phil era um marido dedicado, um pai maravilhoso e um avô orgulhoso e amoroso, conhecido carinhosamente como ‘Bampi’. Era profundamente amado por todos os que o conheceram e fará imensa falta. O seu legado, a sua música e as memórias que criou com tantas pessoas viverão para sempre.” A família pediu ainda respeito pela privacidade neste momento difícil.
A morte de Phil Campbell motivou também várias reacções de figuras próximas do guitarrista e da própria família MOTÖRHEAD. Um dos primeiros a pronunciar-se foi o antigo companheiro de banda Mikkey Dee, baterista que partilhou palco com Campbell durante grande parte da história recente do grupo. Numa mensagem publicada nas redes sociais, o músico recordou a amizade e a ligação musical construída ao longo de décadas.
“Recebemos a notícia esta manhã e é extremamente triste saber da morte repentina do meu irmão e querido amigo, Phil Campbell. Era o tipo mais divertido que já conheci e o melhor guitarrista de rock com quem alguma vez toquei na mina vida. A sua vibração e o seu sentido para orock eram extraordinários.” Mikkey Dee sublinhou ainda a dimensão do percurso partilhado com Phil Campbell nos MOTÖRHEAD, lembrando o impressionante número de discos gravados em conjunto. “Escrevemos 12 álbuns de estúdio juntos e ele nunca deixou de me surpreender com o seu talento extremo.”
O baterista destacou também o lado humano do guitarrista galês, muitas vezes recordado pela sua boa disposição e proximidade com colegas e fãs. “Acima de tudo, vou sentir falta de simplesmente estar com aquele que era provavelmente o tipo mais simpático que alguma vez se poderia conhecer.” Dee terminou a mensagem deixando palavras de solidariedade à família de Campbell e evocando simbolicamente antigos membros da banda já desaparecidos: “Dorme bem, meu amigo e soldado do rock. Diz olá ao Lemmy, ao Würzel, ao Filthy e ao Eddie.”
Também as páginas oficiais dos MOTÖRHEAD foram actualizadas com uma mensagem emotiva dedicada ao guitarrista que integrou a banda durante mais de três décadas. “Não conseguimos acreditar que estamos a dizer isto… é com profunda tristeza que temos de anunciar que o Philip Anthony Campbell faleceu.” O comunicado recorda que o músico foi guitarrista da banda durante 31 anos — o período mais longo de qualquer membro além de Lemmy Kilmister — e sublinha o entusiasmo com que abraçou o projeto PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS ao lado dos filhos.
Na mesma mensagem, os MOTÖRHEAD destacaram o impacto pessoal e artístico de Phil Campbell na identidade da banda. “O Phil era um guitarrista, compositor, performer e músico extraordinário que tinha os MOTÖRHEAD no sangue. Conduzia sempre com o seu talento na guitarra, com um grande sentido de humor, mas acima de tudo com o coração.” O comunicado termina com um pedido de respeito pela família do músico neste momento e uma despedida sentida: “O mundo acaba de perder um enorme feixe de luz e estamos devastados.”
Poucas semanas antes da notícia da sua morte, os PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS tinham anunciado o cancelamento de vários concertos previamente agendados na Austrália e na Europa entre Março e Maio, explicando apenas que a decisão resultava de aconselhamento médico recebido por Phil Campbell. Na altura não foram divulgados detalhes adicionais sobre o estado de saúde do músico.
Nascido no País de Gales, Phil Campbell entrou para os MOTÖRHEAD em 1984, integrando uma das formações mais duradouras e marcantes da história da banda liderada por Lemmy Kilmister. Ao lado do baterista Mikkey Dee, o guitarrista acompanhou Lemmy durante mais de três décadas, tornando-se uma peça fundamental na sonoridade do grupo. Durante os últimos vinte anos de actividade da banda, foi o único guitarrista da formação.
Ao longo desse percurso participou em alguns dos álbuns mais celebrados da discografia dos lendários MOTÖRHEAD, incluindo «Orgasmatron», «1916» e «Bastards», registos que ajudaram a consolidar a reputação do grupo como uma das forças mais influentes do heavy metal e do hard rock. A história da banda terminou em 2015, pouco depois da morte de Lemmy Kilmister, encerrando um capítulo decisivo na carreira de Phil Campbell.
Depois do fim dos MOTÖRHEAD, o guitarrista concentrou-se nos PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS, projecto que formou com os seus filhos e que rapidamente conquistou uma base muito sólida de seguidores, mantendo viva a energia crua e direta associada ao seu percurso musical.
Em 2019, Phil Campbell lançou também o seu primeiro álbum a solo, «Old Lions Still Roar», um disco desenvolvido ao longo de mais de cinco anos e que contou com várias participações especiais. Entre os convidados estavam Rob Halford, dos JUDAS PRIEST, Dee Snider, dos TWISTED SISTER, e Alice Cooper, nomes que testemunham o respeito conquistado pelo guitarrista ao longo de décadas na cena do rock pesado.
Com a sua morte desaparece uma das figuras mais reconhecidas da história recente dos MOTÖRHEAD e um músico cuja carreira ficou indissociavelmente ligada a uma das bandas mais influentes do punk e do heavy metal. O legado de Phil Campbell, marcado por mais de trinta anos de palcos, gravações e colaborações, permanece agora inscrito na história do género.






