O primeiro documentário oficial sobre PAUL DI’ANNO reúne testemunhos de figuras como James Hetfield, Gene Simmons e Steve Harris, além de membros de SLAYER, MEGADETH e SEPULTURA.
No próximo Verão, o mundo do metal vai assistir finalmente ao lançamento de um documentário oficial sobre a vida do malogrado PAUL DI’ANNO, lendário ex-cantor dos IRON MAIDEN. Realizado por Wes Orshoski, conhecido pelo seu trabalho em documentários como “Lemmy” (de 2010), sobre o carismático líder dos Motörhead, e “The Damned: Don’t You Wish That We Were Dead” (de 2015), sobre as lendas do punk rock The Damned, o filme promete uma homenagem bastante profunda e emotiva ao percurso conturbado e inspirador de Di’Anno.
A confirmação de que o documentário estava a caminho chegou poucos dias após a morte de PAUL DI’ANNO, ocorrida na sua casa em Salisbury aos 66 anos. Orshoski, que anda há anos a desenvolver o projecto, partilhou uma homenagem emotiva ao cantor nas suas redes sociais com várias fotografias inéditas. “Tenho uma enorme gratidão por todas experiências e oportunidades que tive com o Paul e por causa dele“, escreveu o realizador, lamentando o desfecho da longa batalha pessoal do vocalista, que nos últimos anos enfrentou sérias dificuldades físicas e emocionais.
Agora, após ter sido exibido em alguns festivais de cinema, a estreia mundial de Di’Anno: Iron Maiden’s Lost Singer está prevista para o Verão de 2026, através da Cleopatra Entertainment. “Durante anos não havia muito para filmar. O Paul Di’Anno estava à espera de cirurgias que os médicos no Reino Unido não aprovavam. Ele estava num lugar incrivelmente sombrio. Mas quando chegou à Croácia, os fãs e os médicos deram-lhe a esperança que procurava desesperadamente. Foi bonito testemunhar isso”, explica Wes Orshoski num comunicado.
O documentário mostra como dois fãs dos IRON MAIDEN encontraram Paul Di’Anno num momento particularmente difícil e decidiram ajudá-lo a recuperar a saúde e a relançar a sua carreira. Durante a pandemia de COVID-19, foi lançada uma campanha de crowdfunding que permitiu ao cantor britânico mudar-se para a Croácia, onde recebeu tratamento médico muto mais acessível. A mudança revelou-se decisiva para melhorar a sua condição física e devolver-lhe alguma estabilidade.
O filme acompanha ainda vários momentos marcantes dessa fase final da vida do cantor: a recuperação gradual, a reconciliação com antigos companheiros dos IRON MAIDEN, o reencontro com os palcos e até o início de uma nova relação amorosa. Todas essas experiências são registadas ao longo de uma narrativa que, segundo o realizador, pretende fugir aos moldes tradicionais do género. “O meu objectivo era fazer um filme diferente de qualquer outro documentário de rock que já tenham visto. E acho que conseguimos”, afiança Wes Orshoski.
Natural de Londres e nascido Paul Andrews, Paul Di’Anno desempenhou um papel fundamental nos primeiros passos dos IRON MAIDEN, tendo gravado os álbuns «Iron Maiden» e «Killers», dois discos frequentemente apontados como pilares do heavy metal. A sua saída da banda em 1981 e a posterior entrada de Bruce Dickinson deram origem a um dos debates mais persistentes da história do género, com fãs a discutirem até hoje qual das fases da banda representa o seu momento mais marcante.
O documentário inclui depoimentos de várias figuras influentes do universo do metal, entre elas James Hetfield dos METALLICA, Gene Simmons dos KISS e Steve Harris, fundador dos IRON MAIDEN, além de elementos de bandas tão famosas como os EXODUS, SLAYER, MEGADETH, OVERKILL e SEPULTURA. As filmagens decorreram em vários países, incluindo Reino Unido, Croácia, Brasil e Estados Unidos, e ficaram concluídas pouco antes da morte do cantor.
Paul Di’Anno faleceu a 21 de Outubro de 2024, na sua casa em Salisbury, aos 66 anos. Posteriormente, o cantor foi sepultado no City of London Cemetery and Crematorium, em Manor Park, no leste de Londres. Antes da sua morte, numa entrevista ao site KNAC.COM, PAUL DI’ANNO já tinha partilhado a sua visão sobre o filme.
Ao ser questionado sobre o conteúdo do documentário, o vocalista assegurou que a obra cobriria todos os aspectos da sua vida, dos primeiros anos até aos momentos mais recentes. “Eu confio plenamente no Wes. Ele colocou-me em todo o tipo de situações estranhas. Até queria entrar e filmar a operação. Mas não pôde fazê-lo, o que foi uma pena“, revelou Di’Anno, reforçando a autenticidade crua que se espera desta narrativa de Orshoski.






