OZZFEST

O OZZFEST vai mesmo voltar em 2027: “Vamos fazê-lo”, garante SHARON OSBOURNE

Com o regresso agora confirmado para 2027, o OZZFEST prepara-se para reocupar um espaço que ajudou a criar, procurando equilibrar legado, renovação e a aposta em novas gerações dentro — e possivelmente fora — do universo do metal.

Após anos de interregno motivados pela doença de Ozzy, o festival que ajudou a redefinir o circuito do metal nos Estados Unidos prepara um novo capítulo — com ambição renovada e uma possível abertura também a outros géneros. A confirmação partiu de Sharon Osbourne, que garantiu que o OZZFEST vai mesmo voltar em 2027. “Sim, absolutamente. Sim, vamos fazê-lo”, afirmou a empresária e personalidade televisiva a 6 de Fevereiro, durante a sua participação no MIDEM 2026, no Palais des Festivals, em Cannes, França.

O último OZZFEST realizou-se em 2018, apenas um mês antes de Ozzy Osbourne adoecer, travando os planos de continuidade do evento. Segundo Sharon, nunca houve intenção de encerrar o festival. “Não havia planos para o parar. Íamos continuar, mas o Ozzy não pôde”, explicou, acrescentando que o tema foi discutido várias vezes em privado. “O Ozzy e eu falávamos sobre isso, e ele dizia-me: ‘Achas que o Ozzfest funcionaria sem mim?’ E eu respondia: ‘Sim, é uma marca. Vai funcionar sem ti.’ E ele dizia-me: ‘Devíamos fazê-lo.’

Criado há três décadas, o OZZFEST foi o primeiro festival itinerantededicado em exclusivo ao hard rock e ao heavy metal nos Estados Unidos, estabelecendo um modelo que seria amplamente replicado nos anos seguintes. Numa entrevista recente à Billboard, Sharon revelou que tem mantido conversações com a Live Nation para viabilizar o regresso.

“Era algo pelo qual o Ozzy era profundamente apaixonado: dar aos jovens talentos um palco frente a muita gente”, sublinhou Sharon. “Na verdade, fomos nós que começámos os festivais de metal neste país. É óbvio que foi replicado, mas nunca foi feito com o espírito do nosso, porque o Ozzfest era um espaço para novos talentos. Era um campo de férias de Verão para miúdos. Para a edição de 2027, Sharon admite uma visão renovada. “Gostava de misturar géneros”, afirmou, sinalizando a possibilidade de um alinhamento menos ortodoxo, ainda que ancorado na herança pesada do festival.

O OZZFEST deixou de percorrer os Estados Unidos em formato itinerante após a edição “gratuita” de 2007. Em 2008 transformou-se num evento único em Dallas, não se realizou em 2009 e regressou em 2010 apenas em seis cidades. Em 2017, mais de 17 mil pessoas assistiram a uma edição de um só dia encabeçada por Ozzy, num ano em que o festival uniu forças com o Knotfest, um evento criado pelos SLIPKNOT. A fusão entre o OZZFEST e o Knotfest já tinha ocorrido no ano anterior, consolidando um fim de semana dedicado ao metal de grande escala.

A última edição do OZZFEST até à data aconteceu na passagem de ano de 31 de Dezembro de 2018, no The Forum, em Los Angeles. O concerto, produzido pela Live Nation, reuniu 12.465 espectadores e gerou 1,2 milhões de dólares em bilheteira. No cartaz figuraram nomes como Rob Zombie, Marilyn Manson ou Jonathan Davis, dos KORN, em formato a solo.

Em Janeiro de 2024, no podcast The Osbournes, Sharon já tinha admitido a possibilidade de ressuscitar o festival, apontando as exigências financeiras de algumas bandas como um dos entraves. “Era isso que nós queríamos — que todos fizessem derivações e os seus próprios festivais, e é óptimo. É óptimo para os fãs; é brilhante. Mas porque é que, quando se trata de nós, toda a gente acha que somos trilionários e que cada empresário que quer a sua banda no nosso festival quer u m dos malditos trilhões que acham que temos para organizar o festival?”, questionou, num tom direto.

Ainda assim, reforçou a importância de manter um espaço dedicado a novas bandas, algo que sempre distinguiu o OZZFEST. “Podes fazê-lo num palco secundário, mas continuas a precisar de cabeças de cartaz. É sempre óptimo ter esse palco secundário, quer dizer, é disso que se trata — lançar novas bandas. Foi por isso que o fizemos.” Reconhecendo as dificuldades de adaptação ao grande palco, acrescentou: “É muito difícil para artistas que não são conhecidos subirem de repente a um palco principal perante 50 mil pessoas num festival e perceberem o que devem fazer. É muito intimidante.”

Ao longo dos anos, o modelo do OZZFEST foi amplamente replicado no circuito norte-americano. “São basicamente as mesmas bandas a rodar vezes sem conta. Mas é isso que é tão bom, porque nós começámos algo, as pessoas pegaram nisso, e continua a ser óptimo para o género”, concluiu a Sra. Osbourne.