Um ano vivido entre música, literatura e cinema, com novos discos, livros e projectos no horizonte. O vocalista dos MOONSPELL olha para trás sem nostalgia e para a frente com ambição, assumindo 2026 como um ano decisivo para a sua criação artística.
Fernando Ribeiro, vocalista, letrista e estratega dos MOONSPELL, recorreu recentemente às redes sociais para fazer um balanço pessoal e artístico de 2025, ao mesmo tempo que revelou, de uma forma aberta e directa, os seus planos criativos para o próximo ano. Numa publicação que cruza reflexão íntima, diversas referências culturais e alguns anúncios concretos de trabalho futuro, o músico português deixa claro que a inquietação criativa continua intacta — e que a banda também.
“Sim. Mais um ano passou e ainda aqui estamos, contra todas as probabilidades que o mundo nos atira”, começa por escrever Fernando Ribeiro, numa afirmação que soa tanto a constatação de sobrevivência como a reafirmação de propósito. A foto que acompanha a publicação foi captada por Beatriz Mariano durante a sessão fotográfica para a promoção do próximo álbum dos MOONSPELL, enquanto o restante conteúdo visual, admite o próprio, contou com ajuda de IA, “para que não fosse preguiçosa” — uma nota irónica que não desvia o foco do essencial: o que aí vem.
No centro das perspectivas criativas de Fernando para 2026 está, naturalmente, um novo LP de estúdio dos MOONSPELL, que promete marcar mais um capítulo na longa e coerente discografia da banda. A par disso, o cantor confirma a edição de um livro de observações poéticas e haikus, intitulado “Say It With A poem”, escrito em inglês, bem como a conclusão de um novo romance e de um livro de poesia, estes em português. Há ainda espaço para a ideia de trabalhar em material para um disco cantado em português e, eventualmente, para o arranque de um projecto paralelo — deixando claro, no entanto, que não se trata de um regresso aos DAEMONARCH.
“As minhas perspectivas criativas para 2026 são: o novo álbum dos Moonspell; a edição do meu livro de observações poéticas e haikus ‘Say it with a poem’, escrito em inglês; terminar o meu novo romance e o meu novo livro de poesia escritos em português; trabalhar em novas ideias para um álbum cantado em português; talvez começar um projecto paralelo, mas não Daemonarch”, escreve Fernando Ribeiro, num tom simultaneamente organizado e espontâneo.
O olhar para trás ocupa também um lugar importante na publicação. Ao revisitar 2025, a cara mais visível dos MOONSPELL partilha algumas das experiências culturais que mais o marcaram ao longo do ano. No campo literário, destaca “A Montanha”, de José Luís Peixoto, e também “A Idade Da Perda”, de Daniel Jonas, sublinhando com orgulho que ambos são autores portugueses. Já no universo musical, o álbum que mais o impressionou foi «Appear, Disappear», dos THE YOUNG GODS, enquanto o melhor concerto a que assistiu teve lugar no Magusto Rock, em Alpedriz, protagonizado pelos MAQUINA.
Também o cinema encontra espaço no balanço. Entre os filmes que mais o marcaram, o músico destaca “Gaslighting”, na sua versão original de 1940, realizada por Thorold Dickinson, e aponta “Weapons”, de Zach Cregger, como uma das experiências cinematográficas mais fortes do ano corrente — uma escolha que confirma o interesse contínuo de Fernando Ribeiro por narrativas sombrias, psicológicas e densas, o que alinha na perfeição com o imaginário que atravessa grande parte da sua obra musical e literária.
Apesar da enumeração de conquistas e referências, o tom geral da mensagem evita triunfalismos. “Tive um grande ano e aguardo com expectativa o próximo”, escreve, encerrando a publicação com uma nota de gratidão dirigida a quem o acompanha. “Abençoados sejam e obrigado por estarem aí. Há um grande lobo nos céus.” Resultado: entre balanço e prenúncio, a publicação de Fernando Ribeiro funciona como um raro momento de transparência criativa, revelando não apenas o que está em marcha no universo dos MOONSPELL, mas também o ecossistema cultural mais amplo que continua a alimentar a sua escrita e a sua música.











