KREATOR

MILLE PETROZZA, dos KREATOR, revela por que recusou juntar-se aos CELTIC FROST

“Não quis ser o sidekick do TOM WARRIOR”, diz Petrozza. Entre memórias de juventude e decisões determinantes, o líder dos KREATOR revisita um momento-chave que poderia ter mudado o rumo do thrash europeu — numa altura em que a banda se prepara para subir ao palco em Lisboa.

Numa entrevista recente, Mille Petrozza, guitarrista e vocalista dos KREATOR, revisitou um dos episódios mais curiosos (e talvez menos conhecidos) da sua juventude: o convite para integrar os influentes CELTIC FROST, por volta de 1986. Um cenário que, a concretizar-se, teria alterado significativamente o percurso de uma das figuras mais marcantes do thrash europeu.

Petrozza não esconde o impacto inicial do convite, sublinhando a admiração profunda que sempre nutriu pela banda suíça. “Fiquei impressionado, porque tinha um enorme respeito por eles e achava que eram uma das melhores bandas do mundo. E continuo a achar que foram, sem dúvida, dos grandes inovadores”, diz o timoneiro dos KREATOR. Ainda assim, apesar do entusiasmo, o músico sabia que já tinha o seu próprio caminho a trilhar com a sua banda, na altura ainda a consolidar uma identidade sólida dentro da cena emergente do metal extremo.

A curiosidade falou mais alto e levou-o a aceitar um período experimental com a banda. Durante cerca de uma semana, Mille Petrozza participou em ensaios com Tom Gabriel Fischer (também conhecido como Tom G. Warrior), Martin Ain e o baterista Reed St. Mark, este último descrito por Petrozza como uma das suas maiores referências. “Queria muito tocar com o Reed St. Mark — para mim, era o melhor baterista do mundo”, explicou ele no podcast Heavy Stories.

O ambiente, no entanto, era tão fascinante quanto intimidante: “Eles ensaiavam num bunker antigo da Segunda Guerra Mundial, em Zurique. Eram pessoas incríveis, muito inteligentes, muito avant-garde. E eu era apenas um miúdo de 18 ou 19 anos.”

Apesar da experiência marcante, a decisão acabou por surgir com clareza quando regressou à Alemanha. “Decidi não me tornar o ‘sidekick’ do Tom Warrior, mas ter a minha própria banda”, afirma, sintetizando a escolha que se revelaria determinante para o futuro dos KREATOR. A questão geográfica também pesou: mudar-se para a Suíça, ainda adolescente, era um passo demasiado grande naquele momento. “Eu era demasiado novo para isso. Se não tivesse a minha própria banda, provavelmente teria aceite”, admite.

Quase quatro décadas depois, o legado dessa decisão é evidente. Os KREATOR continuam a afirmar-se como uma das forças centrais do thrash metal, mantendo uma carreira consistente e influente. O mais recente capítulo chegou em Janeiro, com o lançamento de «Krushers Of The World», o 16.º álbum de estúdio da banda, editado pela Nuclear Blast. Gravado nos Fascination Street Studios, na Suécia, sob a produção de Jens Bogren, o disco marca mais uma colaboração bem-sucedida com o produtor, depois de «Phantom Antichrist» e «Gods Of Violence».

Agora, essa história — feita de decisões firmes e identidade bem definida — ganha continuidade ao vivo. Os KREATOR sobem já amanhã, sexta-feira, 20 de março, ao palco da Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa, num concerto que deverá revisitar várias fases da sua discografia e reafirmar o estatuto conquistado ao longo de décadas. Os bilhetes para o concerto, que conta tambem com os CARCASS, EXODUS e NAILS, variam entre 45€ (bancada) e 50€ (plateia), à venda em primeartists.eu e nos locais habituais.