A tradicional lista anual de MIKE PORTNOY confirma uma vez mais a sua paixão transversal pelo rock e pelo metal progressivo, sem se limitar a fronteiras geracionais ou estilísticas.
Mesmo após mais de quatro décadas no topo do heavy metal progressivo, Mike Portnoy continua a destacar-se por uma característica que nunca perdeu ao longo da carreira: a de ser, antes de tudo, um fã apaixonado de música. No final de 2025, o baterista dos DREAM THEATER voltou a cumprir uma tradição que os seus seguidores já aguardam quase como um ritual de fim de ano, ao divulgar a lista dos dez álbuns que mais o marcaram ao longo dos últimos doze meses.
Partilhada nas redes sociais do músico, a selecção — sem qualquer ordem hierárquica — oferece um retrato bastante fiel do seu eclectismo enquanto ouvinte. Embora o progressivo continue a ser o eixo central das suas escolhas, Portnoy não se fecha num único território sonoro, abrindo espaço tanto para abordagens experimentais e extremas como para propostas mais acessíveis e modernas dentro do espectro do rock.
Um dos destaques mais evidentes da lista é IGORRR, com o álbum «Amen», um registo que volta a desafiar categorizações fáceis ao cruzar metal extremo, electrónica, música erudita e um sentido quase caótico de composição. Trata-se de uma escolha que confirma a afinidade de Portnoy com projectos que arriscam e empurram os limites do género para terrenos pouco convencionais.
Também no campo da experimentação surgem os IMPERIAL TRIUMPHANT, com «Goldstar», disco que reforça a reputação da banda nova-iorquina como uma das forças mais ousadas e experimentais do rock e metal contemporâneo. A fusão de metal progressivo, jazz dissonante e linguagem de vanguarda encontra aqui eco num músico que sempre valorizou complexidade, ambição artística e identidade própria.
O rock progressivo britânico marca presença com STEVEN WILSON e «The Overview», um trabalho conceptual composto por apenas duas faixas extensas, construídas em torno de atmosferas espaciais e contemplativas. A escolha sublinha não só a longa admiração de Mike Portnoy pelo universo criativo de Wilson, como também a sua atenção a obras que privilegiam a experiência global do LP em detrimento do formato tradicional de canção.
O lado mais excêntrico da música progressiva surge representado pelos CARDIACS, com «LSD», um disco que recupera o espírito singular e imprevisível da banda britânica, e pelos SPOCK’S BEARD, com «The Archaeoptimist», reafirmando a vitalidade de um nome histórico do prog norte-americano num contexto contemporâneo.
A lista abre igualmente espaço para escolhas menos óbvias junto do grande público. MORON POLICE, com «Pachinko», e COSMIC CATHEDRAL, com «Deep Water», surgem como exemplos claros da atenção constante de Portnoy a cenas alternativas e a lançamentos que circulam fora do eixo mais mediático do rock e do metal. São discos que, cada um à sua maneira, apostam numa escrita cuidada, em arranjos inventivos e numa abordagem autoral distante de fórmulas gastas.
Um dos momentos mais comentados da selecção foi, no entanto, a inclusão de TALLAH com «Primeval: Obsession // Detachment», o primeiro álbum da banda a contar com Max Portnoy, o filho de Mike, no baixo. A escolha foi interpretada por muitos fãs como um sinal inequívoco de aprovação, não apenas enquanto pai, mas também enquanto músico exigente e atento. Ainda assim, a presença do disco na lista parece assentar sobretudo no mérito artístico deste registo, conhecido pela sua energia agressiva e pela abordagem moderna ao metal.
A fechar o conjunto surgem ainda os BIFFY CLYRO, com «Futique», uma escolha que demonstra que Portnoy também valoriza propostas mais directas e acessíveis, desde que sustentadas por identidade, boas canções e uma visão clara. É um lembrete de que, além da técnica e da complexidade, o impacto emocional continua a ser um critério relevante nas suas escolhas.
No conjunto, a lista dos dez álbuns favoritos de Mike Portnoy em 2025 reforça a imagem de um músico que nunca deixou de ouvir com curiosidade, espírito crítico e entusiasmo genuíno. Mais que um exercício de nostalgia ou autopromoção, estas selecções funcionam como um mapa das influências, interesses e descobertas de alguém que, mesmo após décadas de carreira, continua atento ao que de mais criativo se faz no rock e no metal contemporâneos.











