MIKE PATTON recorda a derradeira digressão de 2016 e admite que a sensação de fecho “era sentida por todos”, ainda que nunca tenha sido verbalizada.
Após meses de declarações cruzadas e sinais contraditórios sobre o futuro dos FAITH NO MORE, Mike Patton abordou pela primeira vez de forma directa aquilo que muitos já encaram como o fim definitivo da banda. Em conversa no podcast Kyle Meredith With…,, o cantor refletiu sobre a última digressão do grupo, realizada em 2016, e sobre a forma como encara esse possível encerramento de ciclo.
Questionado por sobre se existiu um “sensação de fecho” durante essa tour — que hoje se revela como a derradeira da banda — Mike Patton respondeu com uma honestidade desarmante: “Na altura não pensei realmente nisso, mas, sim, talvez. E acho que todos nós sentimos isso, mas nunca foi dito em voz alta.”
Como é do conhecimento geral, naquele momento, os FAITH NO MORE não tinham anunciado qualquer intenção de terminar actividades. No entanto, o vocalista reconhece que existe sempre uma consciência latente quando se está numa banda há muitos anos. “Quando estás numa banda ou numa situação por um longo período de tempo, tens sempre, lá no fundo da cabeça, aquela ideia de ‘bem, talvez seja isto’. E eu não me importo absolutamente nada quando sinto isso. Não o vejo como sendo algo triste. Vejo-o, isso sim, como estar presente e conseguir realmente apreciar o momento enquanto está a acontecer.”
O último concerto dos FAITH NO MORE mantém-se, até hoje, o espectáculo de 20 de Agosto de 2016 no Troubadour, em Los Angeles. O regresso aos palcos estava previsto para 2021, mas esses planos não se concretizaram, com as datas a serem canceladas devido a problemas de saúde mental enfrentados por Patton no período pós-pandemia.
Agora, as declarações do cantor surgem após diferentes membros da banda terem deixado indicações pouco animadoras quanto ao futuro do colectivo. Em Abril de 2025, o baterista Mike Bordin disse que Patton estaria “indisponível” para realizar novos concertos dos FAITH NO MORE. Já no final de 2024, o teclista Roddy Bottum descreveu o grupo como estando numa “semi-pausa permanente”, antes de, em Outubro passado, praticamente assumir a extinção da banda numa entrevista.
Outro ponto abordado por Patton foi a forma como os FAITH NO MORE sempre foram encarados como sendo a sua “banda principal”, relegando os restantes projetos para a categoria de “projectos paralelos”. O cantor questiona essa hierarquização. “Nunca percebi muito bem, e tive de lidar com isso muito cedo. O conceito de ‘projeto paralelo’ é estranho, porque isso pressupõe que exista um principal. E para mim nunca houve um.
Houve projectos como os Faith No More, nos quais passei mais tempo, em termos de digressões e promoção, se quisermos chamar-lhe isso, mas tudo o resto que fiz teve igual importância para mim. Só que as pessoas não viram as coisas assim. E o público, por alguma razão, precisa de ter uma hierarquia para se sentir mais confortável, suponho. Não sei.”
Longe de qualquer inactividade criativa, Mike Patton tem mantido uma agenda intensa desde os últimos concertos dos FAITH NO MORE. Recentemente colaborou num LP com os The Avett Brothers, que será acompanhado por uma digressão com início no final de Março. Além disso, foi anunciado recentemente o regresso aos palcos dos TOMAHAWK após mais de uma década sem digressões. O grupo prepara-se para uma tour de Verão, assinalando mais um capítulo na carreira multifacetada do vocalista.
Portanto, se o percurso dos FAITH NO MORE terminou efectivamente naquela noite de Agosto de 2016, não houve comunicado solene nem despedida formal. Houve, talvez, apenas a consciência silenciosa de que cada concerto pode ser o último — e a decisão de o viver plenamente enquanto acontece.






