MEGADETH

MEGADETH: “Obedeço à lei, mas não, não sou de direita”, afirma DAVE MUSTAINE

Numa nova entrevista, o líder dos MEGADETH aborda política, fé e espiritualidade, revelando perspectivas pouco conhecidas sobre a sua vida e arte.

Dave Mustaine, guitarrista, vocalista e fundador do MEGADETH, concedeu uma entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira, 15 de Janeiro, na qual falou de forma franca sobre política, fé e espiritualidade — temas que há muito suscitam curiosidade e debate em torno da figura do músico californiano. Reconhecido tanto pelo talento indiscutível quanto pelas declarações contundentes, Dave aproveitou a oportunidade para esclarecer convicções algumas pessoais que nem sempre se alinham com a percepção pública.

Sou cristão e respondo a um conjunto diferente de anjos. Obedeço à lei, mas não, não sou de direita“, disse o líder dos MEGADETH, delineando com clareza que a sua postura não se enquadra em rótulos políticos simplistas. Ao falar sobre religião, Mustaine destacou a grande diferença entre uma prática formal e uma experiência pessoal: “Costumávamos dizer que religião é para pessoas que têm medo de ir para o inferno, e espiritualidade é para pessoas como nós, que já estiveram lá.

Estas palavras evocam não só a dimensão espiritual da vida do timoneiro dos MEGADETH, mas também o percurso intenso, marcado por desafios pessoais e pela busca constante de significado, que moldou a sua identidade e a sua música. Para Mustaine, estas convicções influenciaram directamente a sua criação artística. O músico sempre procurou que os registos da banda reflectissem não apenas níveis de grande virtuosismo técnico, mas também narrativas densas, que exploram temas como a moralidade, vingança, redenção e o conflito entre ordem e caos.

Desde os primeiros álbuns que ajudaram a definir o thrash, Mustaine combinou riffs agressivos com letras que frequentemente carregaram altos níveis de reflexão filosófica ou social, numa abordagem que agora relaciona com a sua fé e compreensão da espiritualidade. A entrevista revela ainda um lado introspectivo do líder dos MEGADETH, contrastando com a imagem de confrontos públicos e declarações polémicas. Mustaine sugere que a sua fé e espiritualidade funcionam como um guia, tanto na vida pessoal como na carreira.

Portanto, ao distanciar-se de categorizações políticas convencionais, o guitarrista reforça a complexidade da sua identidade: alguém que obedece à lei, mantém princípios firmes, mas que não se deixa limitar por convenções ideológicas. Além disso, esta conversa permite repensar a relação do público com a figura de Mustaine —  a partilha de uma visão tão pessoal, mostra que o músico continua a evoluir, incorporando as suas lições de vida e experiências acumuladas ao longo de décadas de carreira, sem perder a essência que o tornou uma referência no metal mundial.

Recorde-se que o derradeiro álbum dos MEGADETH, intitulado simplesmente «Megadeth», tem edição marcada para o próximo dia 23 de Janeiro de 2026 e será o sucessor de «The Sick, The Dying… And The Dead!», lançado em 2022. O disco vai ser editado através da Tradecraft, selo de Mustaine, em parceria com a Frontiers Label Group, integrando a nova chancela BLKIIBLK. Para este último registo de estúdio, a banda voltou a trabalhar com Chris Rakestraw, o produtor e engenheiro de som responsável também por «Dystopia» e pelo álbum anterior.

No comunicado oficial que anunciou simultaneamente o último LP e a digressão de despedida dos MEGADETH, Mustaine deixou uma mensagem longa e emocional dirigida aos fãs, sublinhando a raridade de poder encerrar a sua carreira nos seus próprios termos. “Há tantos músicos que chegam ao fim da sua carreira, acidental ou intencionalmente. A maioria não tem a oportunidade de sair por cima e nos seus próprios termos, e é aí que eu estou agora”, afirmou. “Viajei pelo mundo e fiz milhões e milhões de fãs, e a parte mais difícil disto tudo é dizer-lhes adeus.”

O músico reforçou ainda a ideia de que, para si, este momento representa o término ideal de um ciclo criativo e histórico. “Se alguma vez houve uma altura perfeita para lançar um novo álbum, é agora. Se alguma vez houve uma altura perfeita para fazer uma digressão mundial, é agora. E esta é também a altura perfeita para dizer que este será o nosso último álbum de estúdio.”