Os MAYHEM regressam finalmente a Lisboa e reafirmam o seu legado num intenso ritual de sombras e memória. Os IMMOLATION e MARDUK completaram um cartaz de peso, perante uma sala cheia e um público que cruzou gerações num testemunho claro da renovação contínua do metal extremo.
No Dia de São Valentim, quem decidiu passar a noite no LAV – Lisboa Ao Vivo trocou o romantismo convencional por uma celebração bastante mais sombria, mas não menos intensa. Perante uma sala esgotada e um ambiente quase irrespirável, os IMMOLATION, MARDUK e MAYHEM conduziram um serão marcado pela força do metal extremo, cruzando diferentes gerações do género e reafirmando a vitalidade de uma tendência que continua a encontrar novos devotos.
A devoção não se expressou em gestos românticos ou melosos, mas na entrega absoluta a um estilo musical que, décadas depois, permanece tão relevante quanto nos seus primeiros dias. Com a sala completamente esgotada, o ambiente tornou-se rapidamente quase sufocante, como se o próprio espaço tivesse sido transformado numa fornalha em funcionamento contínuo.
Ainda assim, a energia que se acumulava no interior refletia na plenitude o peso histórico do cartaz: três nomes incontornáveis do metal extremo, com IMMOLATION, MARDUK e MAYHEM reunidos perante um público que misturava veteranos e uma nova geração claramente investida neste legado. O black metal, outrora hermético, pareceu-nos mais aberto nesta ocasião, encontrando novos públicos sem abdicar da sua identidade. O ambiente manteve-se essencialmente intenso, mas também respeitoso, com a plateia pronta para absorver cada momento desde que o ponteiro dos relógios marcou as 20:00.
Pontualmente, os norte-americanos IMMOLATION foram os primeiros a subir ao palco, assumindo com naturalidade o papel de banda de abertura. Com uma carreira que remonta ao final dos anos 80 e uma discografia que ajudou a definir o death metal mais sombrio e técnico, o quarteto liderado por Ross Dolan apresentou-se com profissionalismo irrepreensível, mas a actuação foi altamente prejudicada por um som extremamente desequilibrado, que nunca permitiu que o verdadeiro impacto das composições se manifestasse em pleno.
A abertura com «An Act of God» revelou uma banda bastante segura na execução, sim, mas em busca do equilíbrio ideal em termos de mistura sonora — algo que, infelizmente, nunca foi atingido. Depois, ao longo de temas como «Swarm Of Terror», «Majesty And Decay» e «Dawn Of Possession», ficou evidente a solidez musical do grupo. O guitarrista Robert Vigna esteve, como sempre, particularmente activo em palco, a contrastar com a postura mais estática do também guitarrista Alex Bouks, cuja contenção visual não refletia, de todo, a intensidade da música.
Ainda assim, a inclusão do recente single «Adversary» demonstrou que a banda nova-iorquina continua empenhada em expandir o seu repertório, mantendo a fidelidade à sua identidade sonora. No final, em termos de execução, ficou a impressão de que os IMMOLATION já se apresentaram por cá com muito maior autoridade, mas, ainda assim, a resposta da plateia foi respeitosa, reconhecendo o estatuto e a consistência de um dos nomes mais importantes do death metal contemporâneo.
ALINHAMENTO IMMOLATION:
01. An Act Of God | 02. Swarm Of Terror | 03. Majesty And Decay | 04. Adversary | 05. Dawn Of Possession | 06. Blooded | 07. Higher Coward | 08. Rise The Heretics | 09. Nailed To Gold | 10. The Age Of No Light
[em actualização]








ALINHAMENTO MAYHEM:
01. Realms Of Endless Misery | 02. Buried By Time And Dust | 03. Bad Blood | 04. Life Is A Corpse You Drag | 05. Ancient Skin | 06. Psywar | 07. To Daimonion | 08. View From Nihil | 09. Whore | 10. Freezing Moon | 11. Chimera | 12. Cursed In Eternity | 13. From The Dark Past | 14. Weep For Nothing | 15. Silvester Anfang | 16. Deathcrush | 17. Chainsaw Gutsfuck | 18. Carnage | 19. Pure Fucking Armageddon













