Uma revisitação aprofundada de um dos capítulos mais pessoais da carreira dos norte-americanos MASTODON.
Os MASTODON disponibilizaram um documentário centrado no processo de composição e de gravação do álbum «Emperor Of Sand», que foi originalmente lançado no dia 31 de Março de 2017. Conhecidos por documentarem detalhadamente o seu percurso criativo desde «Blood Mountain», editado em 2006, os músicos de Atlanta voltam a abrir as portas do estúdio num registo que combina material previamente divulgado com novas imagens.
Este filme resulta da compilação das doze curtas-metragens que a banda foi lançando nas semanas que antecederam a chegada do disco, agora reunidas num formato contínuo e complementadas com cerca de meia hora de filmagens inéditas. O objetivo passa por oferecer uma prespectiva ainda mais coesa e aprofundada sobre o processo criativo por detrás do álbum, bem como sobre os temas que o sustentam.
Em comunicado, os MASTODON explicam: “Antes do «Emperor Of Sand» ser editado, lançámos uma série de 12 partes que mostra o making of do álbum. Agora, cortámos tudo, adicionámos mais de 30 minutos de filmagens nunca antes vistas e transformámos este produto num documentário! Este é um olhar profundo sobre a criação do álbum e a inspiração por trás da música. Esperamos que gostem!”.
Lançado num contexto particularmente exigente a nível emocional, o álbum «Emperor Of Sand» marcou o regresso dos MASTODON ao formato conceptual que havia definido os primeiros anos da sua carreira. O álbum desenvolveu uma narrativa alegórica centrada na ideia de “tempo esgotado”, acompanhando a jornada de um homem condenado à morte por um sultão do deserto. Na tentativa de escapar ao destino, o personagem perde-se numa paisagem árida, enfrentando um desgaste progressivo que o remete para uma lenta deterioração física.
O conceito ganhou uma dimensão adicional quando contextualizado com a realidade pessoal dos quatro músicos na altura em que o LP foi composto, nomeadamente a morte da mãe do guitarrista Bill Kelliher, vítima de um cancro cerebral em 2016. Parte significativa da música nasceu de longas jam sessions, que procuravam lidar com o luto, conferindo ao disco um peso emocional que acaba por atravessar todas as suas composições.
A produção voltou a ficar a cargo de Brendan O’Brien, responsável por «Crack The Skye», reforçando a ligação a uma das fases mais marcantes do percurso dos MASTODON. Em paralelo, o baixista e vocalista Troy Sanders sublinhou a importância do disco ao afirmar que se trata de um trabalho “com 17 anos em construção… que se liga a toda a nossa discografia”, sugerindo uma continuidade conceptual e estética dentro do catálogo da banda.
Do ponto de vista musical, «Emperor Of Sand» equilibra a abordagem narrativa dos primeiros registos dos MASTODON com uma diversidade estilística impressionante. Temas como «Sultan’s Curse», «Roots Remain» ou «Clandestiny» mantêm a intensidade rítmica e os riffs densos característicos da banda de Atlanta, enquanto faixas como «Show Yourself», «Ancient Kingdom» ou «Andromeda» exploram uma maior ênfase melódica. O fecho com «Jaguar God», composição extensa e de desenvolvimento gradual, sintetiza muitas das dinâmicas que definem o som do grupo.
Sem procurar replicar integralmente o impacto da sua trilogia inicial, o álbum afirmou-se como uma obra relevante dentro da discografia dos MASTODON, sustentada por uma forte componente emocional e por uma abordagem honesta ao processo criativo. Por tudo isso, o documentário disponível no player ali em cima acaba por servir como um complemento essencial para compreender melhor o percurso da banda, oferecendo uma visão detalhada sobre as circunstâncias e decisões que moldaram um dos trabalhos mais pessoais da sua longa carreira.




