Uma decisão tomada em silêncio há mais de duas décadas ganha agora contornos mais claros, com JACK OWEN a falar de perdas pessoais, conflitos internos e um ambiente que descreve como tóxico.
Jack Owen, ex-guitarrista dos CANNIBAL CORPSE, revelou finalmente os motivos que o levaram a deixar a banda em 2004, encerrando anos de especulação entre fãs e seguidores do death metal. As declarações foram feitas durante uma recente participação no The Growl Podcast e marcam a primeira vez que Owen aborda publicamente, e de forma directa, as razões da sua saída de uma das bandas mais influentes do género.
Segundo o músico, a decisão não foi precipitada nem baseada apenas num único episódio, mas antes no acumular de várias circunstâncias pessoais e profissionais particularmente difíceis. “Foi uma combinação de coisas. A minha vida estava a mudar nessa altura. Divorciei-me e a minha mãe faleceu. E eu nunca disse realmente aos tipos dos Cannibal porque saí — nunca lhes disse — mas foi porque tive de me afastar de um deles”, explicou Owen, numa confissão que surpreende pela franqueza.
Para além das perdas no plano pessoal, Jack Owen apontou também problemas internos na estrutura da banda, ligados a questões de gestão e poder. “Havia coisas de gestão a acontecer na banda e foi tipo: ‘Ei, aquele tipo está a tomar conta da banda, por isso estou fora’. Foi uma combinação disso e, como já disse, das mudanças que estavam a acontecer na minha vida. Essa decisão não devia ser assim tão difícil. Há três coisas a acontecer ao mesmo tempo. Mas nunca lhes disse realmente”, acrescentou, não escondendo um certo alívio retrospectivo.
O músico foi ainda mais directo ao caracterizar o clima vivido nos CANNIBAL CORPSE na altura: “Senti que tinha mesmo de sair. Para mim, era um ambiente tóxico. E olha para aquilo em que se transformou — ainda mais tóxico nos últimos anos.” Estas declarações ajudam a contextualizar um momento de viragem importante tanto na história dos CANNIBAL CORPSE como na carreira de Jack Owen. A sua saída, em 2004, coincidiu com um período de reconfiguração interna, que viria a estabilizar no ano seguinte com o regresso de Rob Barrett como substituto permanente na guitarra, um nome já familiar aos fãs devido à sua passagem anterior pelo grupo.
Após deixar os CANNIBAL CORPSE, Jack Owen manteve-se activo no circuito do death metal, integrando os DEICIDE, com os quais gravou um total de quatro álbuns de estúdio. Essa etapa terminaria em 2016, após um desacordo relacionado com créditos de composição, mas permitiu-lhe continuar a afirmar-se artisticamente fora do contexto que descreveu como prejudicial. Em 2017, o guitarrista voltaria a cruzar caminhos com o passado ao juntar-se aos SIX FEET UNDER, banda liderada por Chris Barnes, ex-vocalista dos CANNIBAL CORPSE, numa colaboração que fechou simbolicamente um ciclo iniciado décadas antes.
Agora, estas declatacções de Jack Owen vêm lançar nova luz sobre dinâmicas internas que, durante anos, foram apenas alvo de rumores. As referências a conflitos pessoais não identificados e a um ambiente que, segundo o próprio, se terá vindo a agravar com o tempo, acrescentam uma camada de complexidade à narrativa de uma banda frequentemente vista como uma máquina coesa e imperturbável.











