Cinco décadas depois de um ensaio inaugural em Londres, os IRON MAIDEN continuam a recusar balanços nostálgicos, preferindo concentrar-se na estrada e nos concertos que ainda estão para vir.
Meio século após os IRON MAIDEN terem sido formados por Steve Harris, a 25 de Dezembro de 1975, a efeméride dos 50 anos da icónica banda britânica surge não como um ponto final, mas como mais um marco numa história que continua em movimento. Numa reflexão partilhada em declarações à Kerrang!, o baixista e fundador daquele que é o maior grupo de heavy metal de todos os tempos olhou para trás com lucidez, mas sem sentimentalismos excessivos, sublinhando que a longevidade é algo que raramente ocupa o centro das conversas internas.
A história dos IRON MAIDEN começou num Natal londrino em que um Steve Harris de apenas 19 anos decidiu dar forma a um novo projecto depois de passagens por bandas como GYPSY’S KISS e SMILER. A primeira encarnação do grupocontava com os guitarristas Dave Sullivan e Terry Rance, o baterista Ron “Rebel” Matthews e o vocalista Paul Day — uma formação distante daquela que viria a gravar o álbum de estreia homónimo cinco anos depois, mas que marcou o início de uma trajectória destinada a redefinir o heavy metal a nível global.
Questionado sobre o significado de alcançar os 50 anos de actividade, Steve Harris afastou qualquer ideia de celebração auto-indulgente. “É bastante incrível quando se pensa nisso, mas nós não pensamos muito nisso. A banda não anda a dizer ‘uau, são 50 anos!’. Isso vem mais de outras pessoas, como o nosso manager ou quem faz mais alarido à volta disso. Nós limitamo-nos a fazer o que fazemos”, explica. Ainda assim, reconhece o peso do momento: “É muito, muito tempo. É uma conquista. Não vamos estar sempre a falar disso, mas temos consciência. E que continue por muitos, muitos mais anos.”
Esse olhar pragmático estende-se também às ambições futuras. Para Harris, não há propriamente metas por cumprir, apenas detalhes por fechar. “Há talvez um ou dois países onde ainda gostaríamos de tocar. Uma vez íamos tocar em Banguecoque, mas três semanas antes houve um golpe militar e, claro, tivemos de cancelar o concerto. Talvez um dia voltemos a tirar o avião dos Iron Maiden da garagem para fazer essas datas, porque isso facilita muito esse tipo de concertos”, comenta, referindo-se, com humor, ao lendário Ed Force One.
Inevitavelmente, a conversa acaba por tocar na palavra que nenhum músico de carreira longa consegue evitar: reforma. Steve Harris não a encara como uma decisão iminente, mas também não a ignora. “Não estou a pensar na reforma, mas todos sabemos que ela vai chegar a certa altura, seja forçado por uma coisa ou por outra. Continuo em forma, jogo futebol, ténis e essas coisas, mas nunca se sabe o que pode acontecer amanhã”, admite.
Daí a filosofia que tem guiado os últimos anos dos IRON MAIDEN: “É por isso que temos de aproveitar ao máximo enquanto podemos, sair e desfrutar de cada concerto pelo simples prazer de o fazer. Já digo isto há cerca de dez anos, mas agora é mais verdadeiro do que nunca.” Essa postura ajuda a explicar porque é que os IRON MAIDEN continuam a encarar o palco como uma prioridade absoluta.
Longe de quaisquer sinais de abrandamento, a banda tem regresso marcado a um dos palcos mais simbólicos da sua longa história: Knebworth, no Reino Unido, onde actuará a 11 de Julho de 2026, reafirmando a ligação a um público que atravessa gerações. Por cá, a banda actua a 7 de Julho, no Estádio da Luz.
Cinquenta anos depois daquele primeiro alinhamento improvisado num dia de Natal, os IRON MAIDEN permanecem fiéis à ideia de que o legado não se celebra só com datas redondas, mas com continuidade, consistência e uma ética de trabalho que raramente cede à nostalgia. O futuro pode ser incerto, como o próprio Steve Harris reconhece, mas enquanto houver estrada, concertos e vontade de subir ao palco, a história da banda continua a escrever-se no presente.












