Os norte-americanos GWAR decidiram arrastar a pop para o seu universo grotesco e acabaram por transformar o mega êxito de 2023 numa inesperada experiência punk/metal.
Os GWAR voltaram a provar um avez mais que não existem fronteiras no seu peculiar sentido de humor e irreverência artística. Para a mais recente edição da curiosa rubrica A.V. Undercover, promovida pelo THE A.V. CLUB, o colectivo norte-americano decidiu mergulhar no universo pop contemporâneo e gravar uma versão extremamente peculiar de «Pink Pony Club», um dos maiores sucessos de Chappell Roan, lançado originalmente em 2023 e, definitivamente, um dos temas mais populares desse ano.
Conhecidos pelo seu imaginário extravagante, pelos espectáculos altamente teatrais e por uma estética deliberadamente grotesca, os GWAR nunca tiveram grande receio de desafiar expectativas. Ainda assim, poucos antecipariam que o colectivo hoje formado por Blóthar The Berserker, BälSäc the Jaws ’o Death, Beefcake the Mighty, JiZMak da Gusha e Grodius Maximus escolhesse uma estrela emergente da pop para reinterpretar. O resultado, no entanto, encaixa com naturalidade na lógica caótica do grupo.
A escolha de Chappell Roan não é totalmente surpreendente se tivermos em conta o impacto crescente da artista do Missouri. Nestes últimos anos, a sua música tem servido de matéria-prima para uma série de abordagens nos universos rock e alternativo, com versões assinadas por nomes tão distintos como Corey Taylor ou Karen Dió. A inclusão dos GWAR nesta lista representa, contudo, o ponto mais extremo dessa tendência.
Em declarações ao The A.V. Club, Blóthar The Berserker explicou curiosa as razões que levaram a banda a seleccionar este tema em particular. “A «Pink Pony Club» é sobre abraçar o exílio de um mundo aborrecido e de merda e refazer-te como quiseres — seres quem és, seres quem não és, irritar as pessoas, não queremos saber!”, afirmou, resumindo de forma crua a filosofia por trás da canção e da própria abordagem dos seus GWAR.
Como podes comprovar em cima, a versão apresentada no programa mantém a estrutura base do tema original, mas acrescenta guitarras bem pesadas, vozes guturais e a habitual teatralidade que caracteriza o quinteto. O contraste entre a leveza pop de Chappell Roan e a brutalidade deliberada dos GWAR cria um efeito inesperadamente eficaz, reforçando a ideia de que, quando é realmente bem feita, a música pop pode ser reinterpretada sob qualquer prisma.
Esta participação dos GWAR no A.V. Undercover insere-se numa longa tradição da rubrica, que convida artistas de diferentes estilos a reinterpretar canções fora da sua zona de conforto. Ao longo dos anos, o formato tem proporcionado colaborações bem improváveis e momentos de criatividade espontânea, mas raramente com um choque estético tão pronunciado como este.
Com décadas de carreira e um culto fiel espalhado pelo mundo, os GWAR continuam a demonstrar que a sua proposta artística permanece imprevisível e provocadora. Esta versão de «Pink Pony Club» é mais um capítulo numa história feita de exagero, de sátira e de celebração do absurdo, confirmando que, para esta banda, não existem territórios sagrados nem limites definidos.











