GUNS N' ROSES

GUNS N’ ROSES resgatam a «Bad Apples» ao vivo pela primeira vez em 35 anos [vídeos]

A actuação dos GUNS N’ ROSES no Allianz Parque, em São Paulo, incluiu 24 temas, um regresso inesperado ao alinhamento, várias versões e uma viagem consistente pelo catálogo da banda.

Os GUNS N’ ROSES protagonizaram recentemente um dos momentos mais comentados da mais recente digressão mundial ao recuperarem a «Bad Apples» num concerto realizado no passado dia 4 de Abril, em São Paulo, no âmbito do festival Monsters of Rock. A canção, originalmente editada em «Use Your Illusion I», não era interpretada ao vivo desde 1991, o que torna este regresso particularmente significativo no contexto da história da banda.

A actuação teve lugar no Allianz Parque e contou com um alinhamento extenso de 24 temas, onde o grupo liderado por Axl Rose voltou a demonstrar a amplitude do seu repertório. Para além dos clássicos incontornáveis, o concerto incluiu quatro versões que sublinham as influências e afinidades musicais da banda ao longo das décadas, com incursões por nomes como Black Sabbath, Bob Dylan, Wings e The Damned.

O momento mais marcante da noite surgiu, no entanto, com a inclusão de «Bad Apples», tema que não fazia parte dos alinhamentos desde a fase inicial da digressão associada dos «Use Your Illusion», editados em 1991. Curiosamente, a última vez que a música tinha sido tocada ao vivo aconteceu também no Brasil, durante o Rock in Rio, o que acrescenta uma dimensão simbólica a este regresso agora concretizado em solo sul-americano.

Além desta curiosidade, o alinhamento apresentado em São Paulo percorreu várias fases da carreira dos GUNS N’ ROSES, começando com a «Welcome to the Jungle», que voltou a assumir o papel de abertura explosiva, estabelecendo o tom para o restante concerto. Seguiu-se «Slither», originalmente dos Velvet Revolver, numa escolha que evidencia a ligação entre diferentes capítulos da história recente da banda, antes de «It’s So Easy» e «Live And Let Die» manterem o ritmo elevado, esta última enquanto revisitação do clássico dos Wings.

A primeira metade do espectáculo foi ainda marcada por uma sucessão de temas clássicos como «Mr. Brownstone», «Bad Obsession» e «You Could Be Mine», intercalados com momentos menos previsíveis como «Dead Horse» e «Double Talkin’ Jive», reforçando uma abordagem que privilegia tanto os êxitos mais reconhecíveis como cortes mais profundos do catálogo.

À medida que o concerto avançou, os GUNS N’ ROSES foram explorando várias dinâmicas e atmosferas, com a «Civil War» a introduzir um registo mais denso e reflexivo, seguido por uma série de versões que acrescentaram variedade ao alinhamento.«Knockin’ On Heaven’s Door», de Bob Dylan, e a «New Rose», dos The Damned, funcionaram como pontos de transição. Pelo meio, temas como «Perhaps» e «Atlas» surgiram como referências ao material mais recente e menos habitual, contribuindo para um alinhamento que evitou uma abordagem exclusivamente nostálgica.

A recta final do concerto consolidou o impacto da actuação com uma sequência de temas emblemáticos. «Sweet Child O’ Mine» e «Estranged» marcaram o regresso a um registo mais melódico, preparando o terreno para o momento de maior simbolismo da noite com a «Bad Apples» a anteceder a «November Rain». O fecho ficou a cargo de «Nightrain» e «Paradise City», dois dos temas mais reconhecidos da banda, que encerraram a actuação com a energia característica que continua a definir os concertos dos GUNS N’ ROSES.

Depois de São Paulo, os GUNS N’ ROSES continuam a sua passagem pela América do Sul com várias datas agendadas no Brasil, incluindo cidades como Campo Grande, Salvador, Fortaleza, São Luís e Belém. Esta série de concertos confirma não só a forte ligação da banda ao público sul-americano, mas também a vitalidade de um catálogo que continua a ser revisitado com surpresas pontuais, como ficou muitíssimo bem demonstrado com o regresso de «Bad Apples» ao alinhamento ao fim de mais de três décadas.