A nova identidade de Papa V Perpetua, as limitações impostas pelas antigas máscaras e a ambição cénica da ‘Skeletour’ ajudam a perceber a forma como os GHOST olham agora para os concertos.
Numa nova entrevista, Tobias Forge, mentor e vocalista dos GHOST, voltou a falar abertamente sobre um tema recorrente na história da banda: as máscaras que definiram a sua estética desde o início, mas que também trouxeram dificuldades muito concretas em palco. Desta vez, o músico estabeleceu ainda um paralelismo inesperado entre a produção da actual Skeletour e os concertos de uma das maiores estrelas da pop contemporânea, Lady Gaga.
Questionado pela Global News sobre a meia-máscara que passou a utilizar desde a adopção da persona Papa V Perpetua, associada ao ciclo de «Skeletá», o mais recente LP dos GHOST, Forge explicou que a mudança representou uma libertação significativa face às máscaras integrais usadas pela banda entre 2010 e o início da década de 2020. Segundo o músico, essas máscaras impunham limitações físicas que iam muito além do desconforto visual.
“Ao longo dos anos a usar várias máscaras de silicone na cara, muitas vezes senti que me estavam a pedir para fazer algo semi-profissionalmente atlético enquanto usava chinelos,” afirmou. “‘Vá, corre 100 metros em tempo usando chinelos. Vá, joga futebol ou hóquei no gelo de chinelos.’ Eu não sou um grande cantor que consegue cantar ou tocar em qualquer banda, mas sei que sou definitivamente um cantor melhor do que a máscara me permitia ser.”
Segundo o músico sueco, cantar em palco é um exercício de corpo inteiro, que exige liberdade total de movimentos faciais e controlo da zona do pescoço e da garganta — algo que simplesmente não era possível com uma máscara completa. “Cantar é um exercício físico em que precisas de fazer caretas, de trabalhar com o pescoço e com a garganta,” explicou, acrescentando que a mudança representou também um desafio psicológico. “Mentalmente, foi uma pequena mudança: um grande passo para mim.”
Como é do conhecimento geral, esta não é a primeira vez que o líder dos GHOST aborda este assunto. Numa entrevista à Metal Hammer, Firge revelou que, em 2015, sofreu um ataque de pânico em pleno concerto devido à sensação de claustrofobia provocada pela máscara. Desde então, o músico tem falado abertamente sobre a forma como tenta lidar com o problema, chegando mesmo a afirmar que gostaria de praticar mergulho como forma de enfrentar o medo. “Sempre fui um tipo muito ‘marítimo’ e atraído pelo oceano. Na minha vida alternativa, sou mergulhador de destroços!” disse na altura.
A nova entrevista à Global News serviu também para Tobias Forge aprofundar a filosofia por detrás da produção da Skeletour, actualmente ainda em curso. Segundo o músico, o espectáculo que os GHOST apresentam hoje em dia corresponde finalmente à visão que tinha há muito tempo para a evolução dos concertos da banda, organizados quase como se fossem actos distintos de um espectáculo teatral.
“Acho que estamos num bom momento em termos de produção,” explicou. “Aquilo que a Skeletour acabou por ser, em termos de valor de produção, está muito próximo, conceptualmente, daquilo que tinha na minha cabeça há bastante tempo, no que diz respeito à forma como queria que o espectáculo evoluísse através de diferentes fases ou actos, por assim dizer. De certa forma, acho que talvez se assemelhe um pouco mais a um espectáculo pop.”
Foi nesse contexto que surgiu a comparação com Lady Gaga, depois de Forge ter assistido recentemente a um espectáculo da artista norte-americana. “Fui ver a Lady Gaga recentemente e não estamos a fazer a mesma coisa,” sublinhou ele, “mas do ponto de vista da produção consegui claramente perceber que o que estamos a fazer está mais próximo disso do que do que fazem muitas outras bandas de rock.
Apesar de alguns contratempos recentes — nomeadamente o cancelamento dos primeiros três concertos da etapa norte-americana da Skeletour devido a uma forte tempestade de Inverno — a digressão deverá prosseguir conforme planeado. O regresso à estrada aconteceu ontem, quarta-feira dia 28 de Janeiro, na Mohegan Sun Arena, em Uncasville, no Connecticut, dando continuidade a uma tour que confirma a 100% ambição dos GHOST em ultrapassar fronteiras estéticas e redefinir o que pode ser um concerto de rock em grande escala.












