Os veteranos do thrash da Bay Area EXODUS apresentam um dos temas mais pesados da sua carreira, antecipando o sucessor de «Persona Non Grata» e o regresso de Rob Dukes em disco.
A poucas semanas do lançamento do seu novo álbum, os lendários EXODUS divulgaram um vídeo-clip oficial para o tema-título «Goliath», retirado do seu muito aguardado 12.º registo de estúdio, que tem data de edição marcada para 20 de Março através da Napalm Records. A nova composição representa uma das investidas mais sombrias e invulgares da banda, desacelerando o ritmo habitual do seu thrash cortante em favor de uma abordagem mais arrastada e opressiva.
O resultado é uma peça dominada por guitarras sinuosas, percussão imponente e um arranjo de cordas particularmente atmosférico, interpretado pela violinista Katie Jacoby, cuja presença no tema contribui para ampliar a dimensão dramática da composição. O trabalho de guitarra de Gary Holt, figura central na identidade sonora dos EXODUS desde os seus primórdios, mantém-se como um elemento estruturante, equilibrando peso e precisão com uma sensibilidade mais expansiva.
Comentando o novo single, os próprios EXODUS não escondem o entusiasmo face à ousadia do tema: “«Goliath» pode muito bem ser a coisa mais pesada que alguma vez fizemos e certamente a música mais lenta do nosso catálogo, o mais próximo do doom metal que conseguimos chegar. É puro mal, tão sinistro quanto possível, com a participação da nossa amiga Katie Jacoby, que gravou 18 pistas de cordas na secção harmónica central, transformando a música de puro horror em algo de uma beleza inesperada.”
«Goliath», o álbum, surge como um marco particularmente relevante na longa trajectória do grupo, não apenas por representar o seu décimo segundo registo de estúdio, mas também por assinalar o regresso de Rob Dukes ao posto de vocalista nos EXODUS. O cantor, cuja primeira passagem pela banda ficou marcada pelo lançamento de «Shovel Headed Kill Machine», em 2005, é descrito pelos próprios músicos como tendo entregue aquela que consideram ser a melhor interpretação da sua carreira.
Musicalmente, o disco afirma-se como uma das obras mais diversificadas dos EXODUS. A abertura com «3111» estabelece imediatamente um ambiente carregado de tensão, enquanto canções como «Hostis Humani Generis» e «The Changing Me» revelam uma abordagem que combina a intensidade tradicional do thrash com estruturas bastante mais amplas e momentos melódicos cuidadosamente integrados. A participação de Peter Tägtgren, conhecido pelo seu trabalho com HYPOCRISY e PAIN, acrescenta novas texturas ao conjunto, particularmente através de linhas vocais limpas que contrastam com a agressividade dominante.
Outros momentos de destaque incluem «Promise You This», construída para alimentar o caos dos mosh pits, e «Summon Of The God Unknown», uma composição épica com quase oito minutos de duração que explora dinâmicas contrastantes e um desenvolvimento narrativo mais progressivo. O encerramento com «The Dirtiest Of The Dozen» funciona como uma síntese da identidade contemporânea da banda, reunindo solos cruzados, secções instrumentais isoladas e uma performance vocal particularmente incisiva.
Produzido pelos próprios EXODUS e misturado e masterizado por Mark Lewis, famoso pelo seu trabalho com nomes como os WHITECHAPEL ou NILE, «Goliath» reafirma a recusa da banda em acomodar-se ao legado já conquistado. Quatro décadas após o lançamento do influente «Bonded By Blood», o grupo da Bay Area continua empenhado em expandir os limites do seu som e em preservar o espírito combativo que os definiu desde que deu os primeiros passos.
Nas palavras da própria banda, o entusiasmo é evidente: “Se estamos entusiasmados com este disco? Isso é dizer pouco. Colocámos tudo o que tínhamos neste álbum e é um dos feitos de que mais nos orgulhamos. É o disco mais colaborativo que já fizemos, com canções escritas por vários membros e uma dose de energia devastadora do início ao fim. Está quase na hora de libertar o monstro. Inclinai-vos.”
uma coisa é certa: com «Goliath», que já pode ser pré-encomendado nos formatos físicos, os EXODUS não parecem mesmo nada interessados em revisitar fórmulas passadas apenas por conforto. O que está em causa é uma afirmação de vitalidade criativa e relevância contínua, num género onde a longevidade só se sustenta com convicção e risco. Março de 2026 marcará, assim, o regresso de uma das bandas mais influentes do thrash metal com um álbum que promete pesar tanto pela sua intensidade como pela sua ambição artística.







