Entre mudanças de formação, sessões de gravação extenuantes e uma torrente criativa improvável, o regresso discográfico dos pioneiros do thrash EXODUS já tem finalmente data de edição marcada.
Em pleno San Antonio Fear Fest, Gary Holt confirmou aquilo que os fãs dos EXODUS já suspeitavam: o sucessor de «Persona Non Grata» vai ser editado a 20 de Março de 2026 através da Napalm Records. E, nas palavras do guitarrista, estamos perante um dos capítulos mais ambiciosos e intensos da carreira da banda.
Numa conversa com Robb Chavez, do Robbs MetalWorks, Holt mostrou um entusiasmo raro, sublinhando que o novo disco o deixou profundamente marcado. “É brutalmente bom. Acho que sai a 20 de Março e é brutal. É mesmo brutal. Estamos muito orgulhosos deste disco” — afirmou, destacando o impacto imediato que o álbum teve sobre si e sobre o baterista Tom Hunting. “Quando o oiço, dá-me vontade de chorar, é tão bom. É mesmo muito bom. Fizemos algo especial”, confessou.
O ambiente criativo que moldou o álbum explica parte desta intensidade. Desta vez, os EXODUS optaram por um processo de gravação bem imersivo e comunitário, vivendo juntos durante dois meses enquanto transformavam ideias dispersas numa colecção de temas completos. “Tendemos a gravar assim… Vivemos todos juntos numa casa, ou montamos lá um estúdio. É como um campo de férias de heavy metal”, explicou Gary Holt, revelando que, quando começaram as gravações, apenas quatro músicas estavam concluídas.
O resto do disco nasceu dessa convivência forçada, do diálogo permanente entre os músicos e do fluxo contínuo de criatividade que ultrapassou largamente as expectativas iniciais. Além da coesão do grupo, o papel de Lee Altus revelou-se crucial. O guitarrista voltou a assumir um peso significativo no processo de composição, assinando quatro das dez faixas do álbum. Esse equilíbrio interno contribuiu para um álbum que Holt descreve como multifacetado, combinando a velocidade abrasiva da banda com momentos de peso arrastado que, segundo o próprio, são dos mais esmagadores que EXODUS alguma vez criaram.
“É tudo sobre as músicas, meu. É esmagador, mas são tudo hinos. O disco é muito variado. Tem tudo o que faz parte dos EXODUS: da velocidade ofuscante às partes mais lentas e pesadas que já fizemos”, garantiu o músico californiano. Outro elemento determinante nesta nova fase é o regresso do vocalista Rob Dukes, que reassumiu o lugar de Steve “Zetro” Souza em janeiro. Holt foi taxativo ao descrever o impacto que a sua voz teve nas novas composições.
Para o guitarrista, as interpretações de Dukes não só complementam a agressividade instrumental, como a elevam, tornando-se o elemento central do que considera ser um dos melhores trabalhos da carreira do grupo. “As vozes do Rob estão no topo da pirâmide disto tudo”, atirou ele, sem rodeios. Aliás, a dimensão da criatividade durante estas sessões foi tal que os EXODUS saíram do estúdio com material suficiente para quase dois álbuns. O plano passa por completar e lançar essa segunda colecção depois da primeira digressão.
“80% do disco seguinte já está feito”, revelou Holt, admitindo que escolher só dez temas foi um processo doloroso. “Ainda hoje tenho ataques de pânico, tipo: ‘Devia ter posto aquela música, que é incrível.’ Mas temos de equilibrar um disco. Escolhemos aquilo que sentimos serem as melhores canções para este”.
Outro marco importante é a mudança na equipa técnica. Pela primeira vez em quase três décadas, um álbum dos EXODUS não foi misturado por Andy Sneap, produtor e guitarrista de digressão dos JUDAS PRIEST. No seu lugar surge Mark Lewis, conhecido pela colaboração com MEGADETH, WHITECHAPEL, DEVILDRIVER e BAD WOLVES. Para Holt, a abordagem de Lewis deu ao disco um carácter renovado. A promessa está feita: um álbum emotivo, agressivo, variado e marcado pela química renovada no seio da banda.
Se as palavras de Gary Holt forem um indicador fiável, Março de 2026 traz não apenas um novo capítulo discográfico, mas possivelmente um dos registos mais significativas da já longa e turbulenta história dos EXODUS. Podes ver a entrevista, na íntegra, em baixo.











