Depois de uma muito bem sucedida estreia em nome próprio no nosso país, o fenómeno viral alemão conhecido como ELECTRIC CALLBOY trouxe as suas boas vibrações ao EVILLIVƎ FESTIVAL.
Com bom humor, boa disposição e muita criatividade, os ELECTRIC CALLBOY recuperam a diversão despreocupada com uma colorida festa de metalcore injectado de electrónica. Mais ainda, num universo por demais sisudo, preocupado com rótulos e aparências, como é o da música mais pesada, funcionam como uma proverbial lufada de ar fresco com uma montanha-russa sonora que já lhes valeu mais de 20 milhões de streams nas mais populares plataformas digitais e 11 milhões de visualizações no Youtube – sendo que tendência é para que estes números continuem a aumentar a cada dia que passa.
Resultado, transformaram-se num fenómeno de sucesso mundial e, em Março de 2022, o processo de transformação culminou na edição do muito celebrado «TEKKNO», um petardo de metalcore, vertente electronicore, fulminante e inigualável.
Dois anos volvidos, sob luzes rosa e verde fluorescentes, milhares de fãs enlouquecem dentro da imensa MEO Arena enquanto serpentinas explodem no ar e torres de pirotecnia irrompem com uma potência avassaladora em direcção ao tecto. Os músicos debitam uma sequência de breakdowns colossais, impulsionados por um ritmo electrónico que, outrora, poderia ter inspirado o tipo de catarse em massa que se esperaria encontrar numa rave encabeçada pelos veteranos da EDM Scooter.
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Momentos depois, os ELECTRIC CALLBOY, que orquestram este caos sempre com um sorriso rasgado no rosto, surgem em palco com perucas em corte de tigela, atiram-se ao single «Pump It», soltam um groove mais carnudo que uma coxa do Till Lindemann e a confusão sobe uma vez mais de nível, com mosh pits fervilhantes a absorverem corpos como se fossem gigantescos buracos negros.
A meio do segundo dia de EVILLIVƎ FESTIVAL, torna-se por demais óbvio, impossível de negar mesmo, que, independentemente do facto de gostarmos mais, menos ou absolutamente nada do conceito (e do som) debitado pelos ELECTRIC CALLBOY, o que temos pela frente é um verdadeiro fenómeno.
De resto, este tipo de caos tornou-se comum no universo da banda alemã desde que, ainda em plena pandemia, lançaram o êxito viral «Hypa Hypa», um hino carregado de adrenalina que funde de forma muito inteligente EDM e metalcore brutal. O tema teve um impacto imediato, mas foi o vídeo-clip, com sacudidelas de mullet, movimentos pélvicos e afagos de bigode, que os tornou no caso raro de sucesso que são hoje.
Seguiram-se outros singles de enorme sucesso, como «Tekkno Train», «Spaceman», «MC Thunder» ou «We Got The Moves», todos tocados nesta noite, assim como «RATATATA», a recente colaboração com as japonesas BABY METAL. Pois bem, pelo que nos foi dado a crer, agora ninguém os pode parar.
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Ao longo de um alinhamento de onze temas, vimos os membros da banda encarnarem uma série de personagens e sucederam-se as trocas de perucas e indumentárias, recebidas com fervor e uma “boa onda” contagiante por uma plateia que berrou refrões, saltou sem parar e, a dada altura, até se sentou a “remar”, com a banda e os seus muitos fãs a transformarem a MEO Arena numa proverbial festança de arromba.
Tudo isto é, claro, indicativo do ímpeto crescente que viu os ELECTRIC CALLBOY a passarem de pequenos clubes para arenas esgotadas numa questão de meses, mas o que mais impressionou nesta ocasião foi mesmo o sentimento de comunidade que se viveu enquanto estiveram em palco.
Ào observar o que se passava à nossa volta, com fãs de todas as idades e estratos sociais – pais com crianças, fãs de metal, fãs de EDM e tudo o mais – a juntarem-se naquilo que só de pode descrever como uma enorme e frenética celebração do que um concerto pode ser, o facto dos ELECTRIC CALLBOY serem uma das mais recentes histórias de sucesso improvável no universo da música pesada acabou por nem sequer parecer assim tão estranho.
ALINHAMENTO:
01. Tekkno Train | 02. MC Thunder II (Dancing Like A Ninja) | 03. Spaceman | 04. Hate/Love | 05. Everytime We Touch | 06. Hypa Hypa | 07. RATATATA | 08. MC Thunder | 09. Pump It | 10. Mindreader | 11. We Got The Moves