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MISFITS, AC/DC, NIRVANA entre os discos mais valiosos vendidos no DISCOGS em 2025

Os discos mais valiosos vendidos no DISCOGS em 2025. Entre raridades punk, edições alternativas de clássicos e prensagens únicas, o mercado do vinil voltou a atingir valores impressionantes.

O vinil continua a ser um território onde paixão, obsessão e investimento caminham lado a lado, e 2025 voltou a confirmar essa realidade no Discogs, a maior plataforma mundial dedicada à compra e venda de música em formato físico. Pois bem, a lista de fim de ano agora divulgada revela alguns dos álbuns mais caros vendidos ao longo dos últimos doze meses, atingindo valores que, após convertidos para euros, continuam a impressionar e a sublinhar a vitalidade de um mercado altamente especializado.

No topo das atenções estão nomes absolutamente incontornáveis da história da música popular, como os MISFITS, AC/DC, NIRVANA, THE BEATLES, LED ZEPPELIN ou PINK FLOYD, mas também uma série de edições obscuras, discos promocionais, prensagens alternativas e até erros de fabrico que, ironicamente, transformaram objectos inicialmente defeituosos em peças de culto altamente cobiçadas. Para efeitos de referência, os montantes originalmente apresentados em dólares foram convertidos para euros com base numa taxa média aproximada de 1 dólar para 0,92 euros.

Um dos destaques imediatos desta lita do Discogs surge com os AC/DC e uma raríssima prensagem “splatter” de «If You Want Blood You’ve Got It», de 1978, que atingiu cerca de 5.081 euros. Trata-se de uma edição particularmente desejada não só pelo seu valor estético, mas também por capturar a banda australiana no auge da sua ferocidade ao vivo, numa fase em que Bon Scott era ainda a face e a voz do grupo. Ainda mais valorizado foi o single promocional «Can I Sit Next To You, Girl», de 1974, que chegou aos 6.440 euros, confirmando como os primeiros passos discográficos da banda continuam a exercer um enorme fascínio junto dos coleccionadores.

No campo do punk e do hardcore, os norte-americanos MISFITS voltaram a provar uma vez mais porque são um dos nomes mais mitificados da história do género. O single «Cough/Cool», lançado em 1977, foi vendido no Discogs por cerca de 5.519 euros, um reflexo directo da importância histórica da banda de Glenn Danzig na fundação do horror punk. A este valor soma-se ainda a venda de uma edição limitada de «Earth A.D. / Wolfs Blood», de 1983, que alcançou aproximadamente 5.980 euros, reforçando o estatuto já lendário do catálogo clássico dos MISFITS.

Outro caso paradigmático é o dos NIRVANA, cuja edição original do single «Love Buzz»/«Big Cheese», de 1988, ultrapassou os 9.800 euros no Discogs. Lançado originalmente pela Sub Pop, antes da explosão global da banda liderada por Kurt Cobain, o disco representa um momento crucial na história do rock alternativo e do grunge, sendo uma relíquia praticamente mítica, sobretudo quando surge em estado de conservação exemplar.

A lista de 2025 do Discogs não vive, contudo, só de nomes óbvios. Um dos valores mais elevados do ano pertence aos THE FIX, com o single «Vengeance», de 1981, que foi vendido por cerca de 13.800 euros, tornando-se o disco mais caro transaccionado no Discogs ao longo dos últimos 12 meses. Trata-se de uma edição extremamente limitada, associada à cena punk norte-americana, cuja escassez é hoje lendária.

Por outro lado, os grandes clássicos do rock continuam naturalmente a ocupar um lugar central neste ranking do Discogs. Os THE BEATLES surgem repetidamente, com várias edições de «Please Please Me», tanto em mono como em stereo, a oscilarem entre os 6.070 e os 8.950 euros, enquanto o «The Beatles And Frank Ifield On Stage» atingiu cerca de 7.360 euros. Também os LED ZEPPELIN marcam presença com uma prensagem “advance” do álbum de estreia, de 1968, vendida por aproximadamente 5.348 euros, e uma box set limitada de 2006 que chegou aos 12.266 euros.

Há ainda espaço para uma série de curiosidades que demonstram como o mercado de vinil é tudo menos previsível neste momento. Uma edição limitada e numerada «How To Make Lemonade», de Beyoncé, foi vendida por cerca de 5.348 euros, enquanto um picture disc promocional de «Xanadu», da cantora Olivia Newton-John, foi vendido por aproximadamente 5.980 euros. Até um erro de fabrico se revelou bastante lucrativo, com a prensagem defeituosa do álbum homónimo dos GORILLA BISCUITS, de 1988, a atingir a mesma maquia.

No meio deste eclectismo surgem ainda discos obscuros de soul, compilações etíopes dos 70s, gravações de música clássica em box sets limitadas e singles praticamente desconhecidos do grande público, como prova de que o valor no mercado de coleccionismo não depende só da fama, mas sobretudo da história, da raridade e do contexto cultural de cada peça. Resultado: num mercado onde uma pequena variação de capa ou um erro de prensagem podem significar milhares de euros de diferença, os discos em vinil mantêm-se como um dos objectos culturais mais fascinantes e imprevisíveis da actualidade.