HELLOWEEN

O Sr. Filth, que continua a ser uma das figuras mais carismáticas e divisivas do metal extremo, demonstra que a capacidade dos CRADLE OF FILTH para provocar e desafiar convenções permanece intacta — tanto na música como na mensagem.

Dani Filth, o vocalista dos CRADLE OF FILTH, voltou a abordar o tema da religião numa entrevista recente concedida à revista australiana Heavy. Questionado sobre o facto de algumas pessoas considerarem que a música lançada pela banda é “blasfema”, o Sr. Filth não hesitou em explicar detalhadamente que, na sua opinião, essa questão é tão irrelevante como desprovida de sentido num mundo moldado pela ciência.

É apenas blasfémia para certas pessoas. Na verdade, é uma questão de perspectiva“, começou por dizer. “Bem, eu não vejo isso dessa forma. Se não estás limitado pela religião, este tipo de coisas nem sequer vai entrar realmente na tua vida quotidiana. Portanto, estarás realmente a ser blasfemo se não acreditas que estás a ser blasfemo? Se fores blasfemo para uma religião, isso não seria blasfemo para todas as religiões? *Parece-me evidente que não, porque todas as religiões são essencialmente diferentes e discordam sobre quem é o verdadeiro mensageiro de Deus. Nunca conseguem decidir qual é o verdadeiro — ou melhor, conseguem, mas é sempre o deles“, afirmou o líder e timoneiro dos CRADLE OF FILTH entre risos.

Durante a conversa que podes ouvir na íntegra em cima, Filth foi ainda mais longe, deixando claro todo o seu desdém pela religião organizada: “Não quero saber da religião para nada“, afirmou ele sem rodeios. “Adoro a iconografia, adoro o facto de… Bem, admito que há boas mensagens na religião, mas acho que o tempo já se encarregou de desgastar essa mensagem. Há demasiado sangue, demasiada miséria em nome da religião para que ainda seja considerada algo moderno. Hoje em dia, toda a gente sabe que o mundo não é plano e que não nasceu há 2.000, 4.000 ou 6.000 anos. E os dinossauros não fazem parte da Bíblia…

O que estou a dizer é que a ideia, em si, é ridícula. A mensagem, eu percebo, mas a ideia de que isso ainda é válido hoje em dia, simplesmente não faz sentido. Num tempo de ciência, não faz sentido… Portanto, na minha opinião, é completamente inválido. E eu não quero saber disso para nada.” Ainda assim, o músico sublinhou que respeita a fé das pessoas, ainda que considere o resto “lixo absoluto“. “Respeito — não me interpretem mal, respeito a crença das pessoas. É a crença que é a parte mais importante, e eu respeito isso. Mas o resto é lixo absoluto“, frisou.

A postura irreverente de Dani Filth e dos CRADLE OF FILTH relativamente à religião não é novidade para ninguém, sendo uma constante desde os primórdios da banda. O caso mais emblemático é o da infame t-shirt com o slogan “Jesus Is A Cunt“, que se tornou um símbolo de provocação e liberdade de expressão na cena metal. Lançada pela primeira vez em 1993, essa peça de merchandise tornou.se rapidamente um foco de controvérsia, levando a várias detenções e processos legais.

Em 1996, um seguidor dos CRADLE OF FILTH foi preso em Londres por usar a t-shirt, sendo considerado culpado de “representação profana ao abrigo do ato de 1839” e multado em 150 libras. Os escândalos em torno dessa t-shirt não se limitaram à Europa. Em 2008, o governo da Nova Zelândia proibiu oficialmente a peça de roupa, considerando que “a lesão ao bem público que poderia ser causada pela disponibilização desta t-shirt deriva da maneira como associa um significado agressivo e misógino à palavra ‘c**t’ com Jesus Cristo, ao mesmo tempo que representa uma imagem de uma mulher casta a envolver-se em atividade sexual“.

Enquanto as controvérsias continuam a alimentar a lenda que os rodeia, os CRADLE OF FILTH lançaram o seu 14.º álbum de estúdio, «The Screaming Of The Valkyries», no passado dia 21 de março pela Napalm Records. O novo álbum promete reforçar a posição da banda como uma força incontornável no cenário do black metal sinfónico, mantendo a fusão da agressividade, teatralidade e de uma estética gótica que cimentou a sua identidade ao longo de três décadas.