Entre digressões intensas e um processo criativo sem pressas, os norte-americanos CLUTCH preparam o sucessor de «Sunrise On Slaughter Beach», apostando novamente numa colaboração de confiança e numa abordagem totalmente independente.
Depois de vários meses de especulação e avanços cautelosos, os CLUTCH estão finalmente prestes a dar um passo decisivo rumo ao seu próximo trabalho de estúdio. Em declarações recentes à edição britânica da Metal Hammer, Neil Fallon, vocalista e letrista da banda, confirmou que o grupo norte-americano vai entrar em estúdio no final de Janeiro ou início de Fevereiro.
O novo álbum da banda norte-americana será o sucessor de «Sunrise On Slaughter Beach», editado em setembro de 2022, e marcará o décimo quarto disco de estúdio de uma das formações mais consistentes e resilientes do rock pesado norte-americano. “Começámos uma sessão de pré-produção e escrita no início de 2025, mas depois voltámos à estrada”, começou por explicar Neil Fallon.
“Haverá outra sessão de escrita em Janeiro, e o plano é gravar no final de Janeiro ou no início de Fevereiro. Hoje em dia, desde terminar um disco até à masterização, pode demorar até seis ou mais meses. E a grande vantagem de termos a nossa própria editora é que, se não sentirmos que é o momento certo para o lançar, não o faremos. Preferimos esperar e torná-lo o melhor possível.” Essa filosofia reflete muito bem a postura independente que os CLUTCH adoptaram ao longo da última década, privilegiando o controlo artístico em detrimento de calendários rígidos.
Apesar de já existirem várias canções em estado avançado, o cantor dos CLUTCH recusou-se a apontar a possível data de edição. “Há várias músicas já prontas, mas não vou prever quando o álbum poderá ser lançado”, afirmou, sublinhando que o processo ainda está em evolução. Questionado sobre a qualidade do novo material, respondeu com a franqueza habitual: “A cada ano que passa torna-se mais difícil criar coisas novas, porque já existem todos esses discos anteriores, mas… sim. Sabemos que, enquanto álbum, vai resultar.”
Recorde-se que a nova fase criativa dos CLUTCH tem sido marcada por uma gestão muito cuidadosa do desgaste acumulado após anos praticamente ininterruptos em tour. Em Março de 2025, numa entrevista ao podcast Mark And Me, Fallon explicou com maior detalhe a abordagem actual do grupo ao processo de composição. “Estamos a escrever. Demorou mais do que gostaríamos, mas, para ser honesto, andámos em digressão intensamente nos últimos três anos, completamente esgotados. Quando regressas de uma tour, não queres começar a compor no dia seguinte. É preciso fazer uma pausa.”
Segundo o vocalista, o grupo retomou o trabalho após cerca de quatro semanas de descanso, reunindo-se uma ou duas vezes por semana, durante quatro a cinco horas. “Tens de escrever muita porcaria até chegares às coisas boas. E parece que quanto menos premeditadas são as músicas, mais acabam por fazer parte do cânone — quase canções acidentais. São essas que costumam ser as melhores.”
Confirmada está também a reunião dos CLUTCH com o produtor Gene “Machine” Freeman, vencedor de um Grammy e conhecido pelo seu trabalho com os LAMB OF GOD e KYNG. No passado, Freeman gravou álbuns fundamentais dos CLUTCH como «Blast Tyrant», de 2004, «Earth Rocker», de 2013, e também o «Psychic Warfare», de 2015, discos que ajudaram a consolidar a identidade moderna da banda. Embora, em determinado momento, tivesse sido anunciado um novo LP com Tom Dalgety, esses planos parecem agora definitivamente abandonados, reforçando a ideia de um regresso a uma parceria artística que tem dado frutos consistentes.
Paralelamente à preparação do novo álbum, os CLUTCH continuam activos na estrada. Já está confirmada a digressão norte-americana Suffer No Evil U.S. Tour 2026, que decorrerá em Abril e Maio, e que juntará a banda aos CORROSION OF CONFORMITY, com JD Pinkus como convidado especial. Uma combinação que promete reforçar o carácter comunitário e celebratório que sempre marcou os concertos do grupo.
Formados por colegas de escola secundária — Neil Fallon, Tim Sult, na guitarra, Dan Maines, no baixo, e Jean-Paul Gaster, na bateria —, os CLUTCH mantêm uma ligação musical e pessoal inabalável há mais de trinta anos. Oriundos de Germantown, Maryland, e moldados pela mesma região que deu origem a BAD BRAINS, MINOR THREAT e RITES OF SPRING, o quarteto desenvolveu uma linguagem própria, onde a fúria hardcore se cruza com grooves densos e um stoner rock musculado, sempre sustentado por letras invulgarmente literárias.
Ao longo da sua carreira, a banda partilhou palcos com nomes como SLAYER e SYSTEM OF A DOWN, e mais recentemente protagonizou digressões em co-headline com os DROPKICK MURPHYS, KILLSWITCH ENGAGE e MASTODON. Tal como os SLAYER ou IRON MAIDEN, os CLUTCH souberam sobreviver sem depender de êxitos fugazes ou da pressão para as replicar. Livres de quaisquer tendências e/ou modas, construíram uma discografia sólida que, ao longo de treze álbuns de estúdio desde 1991, lhes valeu o estatuto de uma das bandas mais respeitadas e fiáveis do rock pesado contemporâneo.











