Este concerto especial incluiu clássicos como «Refuse/Resist», «Territory» e «Slave New World», com a nova formação dos CAVALERA a homenagear o legado dos brasileiros SEPULTURA.
Os irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, membros fundadores dos SEPULTURA, voltaram a dar vida a um dos capítulos mais marcantes da sua carreira ao interpretarem na íntegra o icónico «Chaos A.D.», originalmente lançado em 1993. Acompanhados por Igor Amadeus Cavalera, filho de Max Cavalera, no baixo, e pelo guitarrista Travis Stone, os CAVALERA apresentaram uma interpretação fiel e muito intensa do LP, recriando temas fundamentais como «Refuse/Resist», «Slave New World», «Biotech Is Godzilla» ou «Territory», bem como uma versão de «Symptom Of The Universe», dos BLACK SABBATH, banda que sempre figurou entre as influências assumidas do grupo brasileiro.
Este momento assinalou, como é óbvio, mais um capítulo no muito badaçadp processo de revisitação do repertório clássico dos SEPULTURA, que os irmãos Cavalera têm vindo a celebrar nos últimos anos. Em 2023, Max Cavalera refletiu sobre a forma como encara estes discos históricos uma entrevista, afirmando: “Para mim, esses álbuns, são como filhos. Gosto de celebrar os seus aniversários. Quase sinto que preciso de comprar um bolo e fazer uma verdadeira festa no dia em que foram lançados.”
O músico brasileiro acrescentou ainda que estas celebrações ganham verdadeiro significado através da sua reinterpretação em palco: “Celebramos através da música, porque estamos a fazer estas digressões dedicadas a celebrá-la. O «Chaos A.D.» abre com o batimento cardíaco do meu filho Zyon. É um disco muito, muito especial. É quase um momento definidor no metal, um daqueles álbuns que quebraram o molde do que o metal podia ser.”
Lançado num momento de ascensão criativa e comercial dos SEPULTURA, o «Chaos A.D.» representou uma viragem estética decisiva. Após os registos mais agressivos e alinhados com o thrash e death metal, como «Beneath The Remains» e «Arise», o grupo outrora liderado pelos irmãos CAVALERA introduziu uma abordagem mais cadenciada e centrada no groove, integrando elementos de hardcore, atmosferas industriais e uma maior atenção ao peso rítmico das composições.
Como explicou o próprio Max Cavalera, essa mudança foi deliberada e transformadora: “Antes do «Chaos A.D.», era tudo super rápido e agressivo. Acho que, com esse álbum, mostrámos ao mundo que havia outra forma de fazer música pesada, mais lenta e orientada para o groove, com temas como a «Territory», «Slave New World» ou «Refuse/Resist».”
O impacto do álbum não se limitou ao plano musical. As letras, fortemente politizadas, abordaram temas como opressão, manipulação mediática e teorias conspirativas, contribuindo para afirmar os SEPULTURA como uma das vozes mais relevantes do metal politicamente consciente dos 90s. Esse posicionamento e atitude ajudou a transformar o «Chaos A.D.» num sucesso global e, juntamente com o «Roots», num dos lançamentos mais bem-sucedidos da carreira da banda brasileira.
A identidade visual do álbum também desempenhou um papel importante na sua afirmação. A icónica capa foi criada especificamente para o disco pelo artista Michael Whelan, que já tinha trabalhado com o grupo anteriormente. Sobre o processo, Max Cavalera recordou: “A capa do «Chaos A.D.» é uma pintura totalmente nova encomendada por nós ao Michael Whelan com base no nome do álbum. Ele criou aquela imagem do saco mortuário com o dinheiro invertido e os elementos electrónicos a atravessá-lo. Achei que ficou realmente impressionante.”
Recorde-se que os irmãos Max e Igor Cavalera vão interpretar o «Chaos A.D.» na íntegra como parte do do EVILLIVƎ WARMUP, um concerto especial que terá lugar no dia 4 de Julho na Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa, funcionando como ponto de partida para o festival que regressa à MEO Arena logo no dia seguinte. O alinhamento reúne os TRIVIUM, CAVALERA e OKKULTIST, num cartaz que combina nomes consagrados da música pesada internacional com uma banda emergente da nova geração do metal luso.
Os bilhetes para o EVILLIVƎ WARMUP estão já disponíveis, com o preço de 50 euros para a plateia e 45 euros para a bancada, podendo ser adquiridos em primeartists.eu e nos locais habituais. A nova iniciativa acrescenta assim um primeiro capítulo à edição de 2026 do festival, ampliando a experiência para dois dias consecutivos de concertos em Lisboa.




