CAVALERA

Os irmãos CAVALERA recusaram participar no concerto de despedida dos SEPULTURA

Apesar das tentativas de reaproximação, MAX e IGOR CAVALERA não vão fazer parte do último capítulo da história dos SEPULTURA, cuja despedida se aproxima a passos firmes.

O fim dos SEPULTURA está cada vez mais próximo e, com ele, cresce também a expectativa em torno do concerto final da banda brasileira. No entanto, uma das hipóteses mais simbólicas — o regresso de Max Cavalera e Igor Cavalera para uma última celebração — acaba de cair por terra. Após contactos recentes, os irmãos recusaram o convite para integrar aquele que será o derradeiro espectáculo do grupo.

Elementos centrais na fase mais influente da carreira dos SEPULTURA, os irmãos Cavalera afastaram-se do grupo em dois momentos distintos, com Max Cavalera a sair logo em 1996, na sequência de um conflito interno relacionado com a gestão conduzida pela sua mulher, Gloria Cavalera, e Igor Cavalera a atirar a toalha ao chão uma década mais tarde, em 2006. Desde então, os dois músicos têm desenvolvido muita actividade conjunta, revisitando e regravando material clássico da banda sob o nome CAVALERA, além de o apresentarem regularmente em digressão.

Ainda assim, o guitarrista Andrea Kisser mantinha a esperança de fechar este ciclo dos SEPULTURA com um gesto de reconciliação. Aliás, em 2024, o músico já tinha deixado um apelo público nesse sentido ao defender a importância de celebrar o percurso da banda acima de quaisuqer divergências passadas. “Não nos interessa quem tem razão ou não. Nunca vamos chegar a esse ponto… Temos pontos de vista diferentes sobre os mesmos acontecimentos. Portanto, vamos tocar juntos, divertirmo-nos pelos fãs e também por nós, e encerrar estes incríveis 43 ou 44 anos em paz connosco próprios”.

Nos meses mais recentes, essa intenção traduziu-se em contactos directos. Andrea Kisser chegou a falar pessoalmente com Igor Cavalera e estabeleceu pontes através de representantes para chegar também a Max Cavalera, mas sem qualquer sucesso. Em declarações à Metal Hammer, o músico confirmou a recusa: “Convidámos os irmãos Cavalera. Falei com o Igor ao telefone há alguns meses e começámos a comunicar. Os nossos managers falaram com a equipa deles… Mas eles não querem fazer parte, e isso é perfeitamente aceitável. É uma escolha”.

Apesar do desfecho, o guitarrista não esconde que via esse reencontro como um encerramento natural da história dos SEPULTURA. “Faria todo o sentido termos uma celebração no final, sobretido para os fãs, e simplesmente desfrutarmos juntos em palco. Como foi no «Roots». Apesar de tudo o que aconteceu à volta, conseguimos fazer esse álbum e concluir o que tínhamos a fazer”.

Enquanto os detalhes do concerto de despedida continuam ainda por definir, os SEPULTURA preparam também o lançamento do seu último EP de estúdio, «The Cloud Of Unknowing», com edição marcada para o próximo dia 24 de Abril. Um capítulo final que se desenha agora sem uma das suas formações mais emblemáticas, mas que assinala, ainda assim, o encerramento de um percurso fundamental na história do metal.

Importa ainda recordar que tanto os SEPULTURA como os CAVALERA têm presença assegurada no nosso país ao longo de 2026, ainda que em moldes distintos. Os SEPULTURA actuam a 21 de Junho no Rock in Rio Lisboa, no Parque Tejo, inseridos na sua tour de despedida . No caso dos CAVALERA, a passagem por território nacional acontece no dia 4 de Julho, inserida no cartaz do EVILLIVƎ WARMUP, com os irmãos a interpretarem o clássico «Chaos A.D.» na íntegra. Ainda que sem ligação ao percurso final da banda-mãe, esta coincidência reforça a ideia de dois caminhos paralelos que continuam a cruzar-se só no imaginário dos fãs.