BLACK LABEL SOCIETY

BLACK LABEL SOCIETY: Novo LP, «Engines Of Demolition», para ouvir na íntegra [review + streaming]

Cinco anos depois de um disco que passou discretamente pelo radar, ZAKK WYLDE e os seus BLACK LABEL SOCIETY reafirmam a consistência de uma identidade que nunca precisou de reinventar-se para continuar relevante.

Há algo de inevitável no percurso dos BLACK LABEL SOCIETY. Desde que Zakk Wylde deu forma ao projecto, no final dos anos 90, a banda afirmou-se como uma extensão directa da sua personalidade: intensa, ruidosa, emocional e, acima de tudo, fiel a uma linguagem que cruza o peso do metal com a alma dos blues e o dramatismo do hard rock clássico.

Durante a primeira década de actividade, a produtividade dos BLACK LABEL SOCIETY foi imparável, com uma sucessão de álbuns e presença constante em grandes palcos. No entanto, com o passar dos anos, o ritmo abrandou significativamente — não por falta de inspiração, mas por uma agenda preenchida com outros compromissos de peso, desde a ligação prolongada a Ozzy Osbourne até ao recente regresso aos palcos com os PANTERA.

Esse contexto torna «Engines Of Demolition» particularmente relevante. O novo disco surge cinco anos após «Doom Crew Inc.», que não conseguiu gerar o mesmo impacto dos registos que o antecederam, e chega num momento em que a sombra da morte de Ozzy paira inevitavelmente sobre a criatividade de Zakk Wylde. A expectativa poderia ser ambígua: um álbum fragmentado, talvez irregular, construído ao longo de diferentes fases.

No entanto, o resultado aponta noutra direcção. Coeso, seguro e desprovido de excessos dispensáveis, este 12.º registo de estúdio dos BLACK LABEL SOCIETY revela-nos um compositor focado e plenamente consciente dos seus pontos fortes. De resto, os sinais já tinham sido dados pelos avanços. «The Gallows», «Lord Humungus» e «Broken And Blind» faziam antecipar um disco sólido, com solos incendiários e uma abordagem vocal que equilibra rudeza e emoção.

Ainda assim, o mais relevante aqui é a consistência ao longo do alinhamento. Longe de depender apenas dos momentos de maior impacto imediato, «Engines Of Demolition» apoia-se numa sequência de temas que mantêm um nível elevado e, em vários casos, o superam. A abertura com «Name In Blood» funciona desde logo como uma declaração de intenções: um tema musculado, melódico q.b., sustentado por um trabalho de guitarra que relembra porque Zakk Wylde continua a ser uma figura central no instrumento.

A ligação estética aos BLACK SABBATH mantém-se como um dos pilares do som da banda, evidente em temas como «Gatherer of Souls», onde o peso arrastado e sombrio se impõe com autoridade. Depois, e em óbvio contraste, «Better Days & Wiser Times» e «Back To Me» exploram o lado bem mais emocional: baladas amplas, carregadas de melodia e de uma sensibilidade que nunca resvala para o excesso.

Felizmente, há também espaço para momentos mais crus e directos. «Pedal To The Floor» destaca-se como um dos pontos altos, um exercício de blues metal vigoroso, onde a guitarra assume um papel quase descontrolado, mas sempre sustentado por uma execução técnica irrepreensível. É neste tipo de temas que se percebe a liberdade criativa de Wylde, capaz de conjugar virtuosismo com uma abordagem visceral.

Curiosamente, o último terço do disco reúne alguns dos momentos mais marcantes. «Broken Pieces» traz à tona uma componente mais psicadélica, enquanto «The Stranger» reforça a herança Sabbathiana. O fecho com «Ozzy’s Song» assume um peso emocional evidente: uma homenagem sentida a uma figura determinante na carreira de Zakk Wylde. A composição, delicada e contida, evita excessos e encontra força precisamente na sua simplicidade, deixando um impacto duradouro.

Não há aqui qualquer tentativa de reinvenção. «Engines Of Demolition» segue o caminho traçado desde «Sonic Brew» e respeita uma identidade consolidada ao longo de décadas. Ora bem, não estranhamente, acaba por ser precisamente nessa consistência que reside o seu mérito. Ao evitar quaiquer dispersões e ao focar -se apenas no essencial, Zakk Wylde entrega o trabalho mais sólido dos BLACK LABEL SOCIETY em muitos anos, possivelmente o mais consistente desde «The Blessed Hellride».