HELLFEST 2012:
Diário de Bordo — Parte 2

Durante os dias 15, 16 e 17 de Junho o gigantesco HELLFEST transformou a localidade francesa de Clisson numa meca para todos os apreciadores de música pesada. O Pedro Roque viajou até lá com um contingente português bastante assinalável e trouxe, obviamente, histórias para contar através da sua lente. Aqui fica a segunda e derradeira entrada no diário de bordo do intrépido fotógrafo da Margem Sul. A primeira parte pode ser lida aqui.

Dia 2. Depois de chover a noite toda eis que aparece o sol no segundo dia desta aventura… E, num ápice, ganhei um belo bronze “à camionista”. Já dentro do recinto mal se podia caminhar fora dos palcos instalados nas tendas, por isso era aproveitar para me meter na fila o mais depressa possível e ser dos primeiros fotógrafos a entrar no fosso.

Os Unsane rompem pelo The Valley a dentro e montaram a festa com um concerto poderoso e violento que mais parecia punk pelos constantes stage divers a sobrevoarem a área dos fotógrafos. Depois de tanta música boa, por esta altura o pescoço já estava viciado no headbanging e os dedos começavam a inchar depois de tantas horas agarrado a câmera.

As viagens entre palcos eram sempre muito divertidas e, tal como reparei no dia 0, este festival também pode ser um autêntico desfile de máscaras… Esta imagem fala por si própria!

Chego ao fim do segundo dia já bastante cansado e vou com pouca expectativa para o concerto dos Refused, mas sou surpreendido pela grande atitude e energia renovada demonstrada pelos suecos. Acabou por um dos concertos do dia e um dos mais desafiantes de fotografar no festival… Eles sempre a mexerem de um lado para o outro, a fadiga a instalar-se no corpo e os fotógrafos a trabalharem em condições mais ou menos adversas.

Dia 3. Depois de toda a maratona de concertos, copos, trabalho e poucas horas de sono chego ao terceiro dia um pouco de rastos, mas nada que um banho forçado de água fria não tenha resolvido. Uma vez que tinha menos concertos interessantes para captar, aproveitei para explorar o recinto. Os festivaleiros aproveitavam as sombras para descansar e carregar energias. Mais uns copos e siga para as próximas sessões de barulho!

Para mim este foi um dia mais ligado ao doom/stoner, praticamente não sai do palco The Valley e ouve concertos memoráveis dos Acid King e The Obssessed, mas fotografar os Pentagram foi especial. A figura do mítico Bobby Liebling é mesmo aliciante de captar. Parece que se faz ali magia, com aquele feeling todo e cheio de “pica” parece que os anos e os problemas com drogas não o afectaram. Foi das melhores recordações que consegui neste festival.

Último concerto do festival para mim e o mais desafiante, 10 paredes de amplificadores à minha frente e os dedos e braços já fraquejavam depois de tantas horas a captar imagens. na verdade, não podia haver cenário mais perfeito para levar com a avalanche sonora dos Sunn O))). Entro no fosso e tiro as fotos possíveis; a vibração era tal que não me podia encostar ao palco para obter o melhor foco, mas no fim de contas até não correu mal… Depois foi ir para a linha da frente e fechar os olhos até os músicos desligarem os amplificadores. Experiência alucinante. Mesmo!

Eis que chegamos ao fim desta aventura e a viagem de regresso foi mais dolorosa… O corpo ainda estava a sentir a adrenalina do festival e nas primeiras horas não consegui dormir, por isso fui espreitando as imagens que captei. Depois de alguns quilómetros e de comer uma omelete mal aviada em Espanha chega a altura da foto de grupo da excursão. Regressamos todos ao autocarro para mais umas boas horas de estrada e lá consegui dormir até chegar a Portugal com uma boa bagagem de imagens e recordações.

Texto e fotos:
PEDRO ROQUE

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